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Militares da Marinha são presos por assassinato de perito da polícia no Rio

Renato Couto, perito da Polícia Civil, foi assassinado após investigar ferro-velho - Reprodução/Redes Sociais
Renato Couto, perito da Polícia Civil, foi assassinado após investigar ferro-velho Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

15/05/2022 13h20Atualizada em 16/05/2022 09h14

Três militares da Marinha e o dono de um ferro-velho localizado na região da Mangueira, na zona norte do Rio, foram presos na madrugada de hoje por suspeitas de sequestrar, matar e ocultar o corpo de um perito da Polícia Civil.

Renato Couto, 41, foi morto na última sexta-feira (13). O crime teria sido motivado por uma discussão entre o papiloscopista e o dono do ferro-velho, acusado de receptar materiais furtados de uma obra do perito.

De acordo com as investigações da Delegacia da Praça da Bandeira, após a confusão, Lourival Ferreira de Lima, dono do espaço, prometeu devolver ao perito os valores dos produtos furtados e acionou o filho, identificado como Bruno Santos de Lima, supervisor do Setor de Transporte do 1º Distrito Naval.

Bruno chegou ao local com um carro da Marinha descaracterizado, agrediu o policial e efetuou um disparo na perna dele. O militar estava acompanhado de outros dois integrantes das Forças Armadas - Manoel Vitor Silva Soares e Daris Fideles Motta.

Ainda segundo as investigações, os três militares sequestraram a vítima. No interior do veículo, mais um tiro foi disparado contra o perito que teve o corpo arremessado no Rio Guandu, na altura de Japeri, na Baixada Fluminense.

O diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, delegado Antenor Lopes, afirmou ao UOL que os envolvidos confessaram o crime e foram reconhecidos por testemunhas que presenciaram o fato. Segundo ele, os militares ainda lavaram duas vezes o carro - na tentativa de eliminar os resquícios de sangue.

"Trata-se de um crime bárbaro, chocante. A gente lamenta que militares das Forças Armadas tenham se envolvido nisso. Eles tentaram ainda lavar o carro após a desova do corpo. Lavaram duas vezes: uma em um lava jato perto do local, em Austin, Nova Iguaçu [Baixada Fluminense] e outra na garagem do próprio distrito naval, onde os três serviam. Chegaram a usar cloro", informou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, a perícia encontrou vestígios de sangue próximo ao rio, onde o corpo do policial foi arremessado. Um helicóptero da Polícia Civil tem auxiliado nas buscas para localizar o corpo do perito.

Os três militares e o dono do ferro-velho foram presos em flagrante por homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver.

Procurada, a Marinha informou através de nota que "tomou conhecimento, na noite de sábado (14) sobre uma ocorrência, com vítima, envolvendo militares da ativa do Comando do 1º Distrito Naval, objeto de inquérito policial no âmbito da Justiça comum. Os militares envolvidos foram presos em flagrante pela polícia e responderão pelos seus atos perante a Justiça".

A Marinha lamentou ainda o ocorrido e afirmou que se solidariza com os familiares da vítima. A instituição disse que reitera seu firme repúdio a condutas e atos ilegais que atentem contra a vida, a honra e os princípios militares. A MB reforça, ainda, que não tolera tal comportamento".

A instituição informou também que está colaborando com os órgãos responsáveis pela investigação e que abriu um inquérito policial militar para apurar as circunstâncias da ocorrência.

O UOL ainda não localizou a defesa dos acusados. O texto será atualizado em caso de retorno.

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