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RJ põe em sigilo processo sobre armas para 10 mil PMs da reserva

Getty Images
Imagem: Getty Images

Ruben Berta

Do UOL, no Rio

02/06/2022 17h41

A Polícia Militar do Rio de Janeiro colocou em sigilo o processo administrativo que trata da distribuição de armas para até 10 mil policiais da reserva.

O comandante da corporação, Luiz Henrique Marinho Pires, publicou ontem resolução que permite aos PMs que saíram da ativa há até cinco anos solicitarem uma pistola e munição. Os detalhes que embasaram a decisão, no entanto, estão em documentos não acessíveis ao público.

Em consulta ao SEI (Sistema Eletrônico de Informações), que reúne os processos do governo do Rio, os documentos foram classificados como de "acesso restrito".

Para justificar, é mencionado um artigo da LAI (Lei de Acesso à Informação) que fala em "comprometer atividades de inteligência, bem como de investigação ou fiscalização em andamento, relacionadas com a prevenção ou repressão de infrações".

O UOL questionou a assessoria de imprensa da PM sobre os motivos do sigilo, mas não obteve retorno. A reportagem também perguntou se a PM possui em estoque o armamento que será cedido ou se seria necessária uma compra, mas não houve resposta.

Em entrevista ao jornal O Globo, Luiz Henrique Pires afirmou que a medida traz "mais segurança para aqueles que sempre defenderam a corporação e sempre defenderam a sociedade".

Os PMs que poderão solicitar as armas são os da reserva remunerada, que já estão afastados das atividades há até cinco anos e podem apenas ser convocados em situações excepcionais por decisão do governador.

Pela resolução, ficarão disponíveis uma pistola e até três carregadores com pelo menos 50 munições. Para ter direito ao armamento, o policial precisa se enquadrar em requisitos básicos como não apresentar problemas psiquiátricos ou ter pendência judicial. O pedido deve ser feito no batalhão da região onde ele mora.

O processo administrativo que embasou a medida tem apenas quatro documentos e as datas disponíveis mostram que a tramitação foi rápida: começou em 18 de maio, e a resolução foi publicada no dia 1ª deste mês.

O texto da resolução diz que a medida foi tomada atendendo a uma proposta do diretor do Depósito Central de Munições da PM.

Atualmente, o cargo é exercido pelo tenente-coronel Fábio Pinto Gonçalves. O oficial chegou a ser condenado em 2015 pela Auditoria de Justiça Militar do Rio a 36 dias de prisão por constrangimento ilegal, mas terminou absolvido no ano seguinte pela 5ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio.

O caso envolvia um flagrante que teria sido forjado por Gonçalves, então major, e um outro policial, o tenente Bruno César Andrade Ferreira, em um protesto no centro do Rio, em setembro de 2013.

Em um vídeo divulgado à época pelo jornal O Globo, Ferreira aparecia com um morteiro na mão. Ele jogou o artefato no chão logo após abordar um jovem para revistar a mochila dele. Próximo ao tenente, o major Fábio Pinto Gonçalves deu voz de prisão e afirmou que o rapaz estava com o morteiro. Ao ser algemado, o jovem alegou ser inocente.

O acórdão da 5ª Câmara Criminal, que absolveu os policiais, afirma que "a intenção dos PMs não era a de constranger dolosamente o jovem".

Procurada pelo UOL nesta quinta-feira (2), a PM não comentou o caso.