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Motorista que viralizou com flagras em motéis paralisa serviço após ameaças

Elizandra Regina de Cândido anunciou serviços nas redes sociais, mas precisou pausar trabalho após ameaças - Eli Laços/Facebook
Elizandra Regina de Cândido anunciou serviços nas redes sociais, mas precisou pausar trabalho após ameaças Imagem: Eli Laços/Facebook

Do UOL, em São Paulo

19/09/2022 14h39Atualizada em 23/09/2022 10h15

Elizandra Regina de Cândido, 47, que fez sucesso no começo deste ano ao oferecer seus serviços como motorista apenas para mulheres, com "pedidos personalizados" que incluíam até mesmo flagrantes em namorados e maridos infiéis em motéis, parou de oferecer as viagens de "teste de fidelidade" após receber ameaças de alguns dos homens desmascarados pelo esquema.

A moradora de São Vicente, no litoral de São Paulo, conta que a repercussão de seu trabalho aumentou a diversidade de seus clientes, que passaram a acioná-la para serviços mais simples, como levar crianças até a escola e adolescentes até festas. Mas depois de receber ligações ameaçando até mesmo agredi-la fisicamente, ela tomou a decisão de não se envolver mais com demandas sobre relacionamentos.

Com muitas reportagens eu fiquei muito conhecida, meu carro ficou muito conhecido, então muitos homens me ligavam, porque meu WhatsApp é bastante público, e me ameaçavam, falando que eu era destruidora de lares, fofoqueira, perguntando quem era eu para estar me intrometendo na vida deles. Elizandra em entrevista ao UOL, destacando que sua posição durante as "perseguições" era apenas a de prestadora de serviços.

"Eu não era detetive, elas queriam seguir os companheiros, me pagavam para estar ali com o carro e eu prestava esse serviço. Mas eu comecei até a ficar com medo, um deles disse até que ia fazer meu corpo de taco de baseball e quebrar meu carro com meu corpo, isso me apavorou muito, porque eu tenho filhos. Foi nesse momento que eu falei: 'Não, eu preciso parar com isso'", completa.

Mudança de rotina

A motorista conta que a decisão também teve relação com a mudança completa de sua rotina desde março, quando virou assunto na imprensa. Hoje, ela prioriza trabalhar durante o dia e também faz corridas pela Uber, após tentativas fracassadas de se filiar à plataforma em ocasiões anteriores.

"Eu comecei a acordar muito cedo, então quando chegava à noite, que elas queriam que eu fosse atrás [dos maridos infiéis], ficava tarde. E agora também eu sou Uber, que faço só para mulheres, então eu não via mais a vantagem até na parte financeira", explica.

Além do sucesso em suas viagens, com clientela fixa pela manhã e nas primeiras horas da noite, Elizandra, que era artesã e fazia laços para crianças antes de mudar de carreira, também foi convidada para participar de palestras sobre empoderamento feminino e foi uma das agraciadas com o prêmio de "Mulher Caiçara", da AAVV (Associação Amigos da Vila Valença), de São Vicente, que visa homenagear mulheres de destaque da região.

"Hoje eu sou muito feliz, muito realizada. Eu era casada, e meu marido foi embora do dia para noite, comecei a fazer laços e, do nada, eu 'virei alguém'. Hoje, eu não dependo de ninguém. De uma dona de casa eu virei uma empresária, e com tudo isso eu aprendi que mesmo nas coisas ruins a gente tem que tirar proveito do bom, assim foi indo e estou crescendo", conclui a motorista, que tem em seus próximos planos a meta de trocar de carro.