Conteúdo publicado há 8 meses

Tarcísio contraria Ouvidoria e diz que houve 8 mortos em ação no Guarujá

Oito pessoas morreram ao longo do fim de semana durante a operação após a morte de Patrick Bastos Reis, soldado da Rota, no Guarujá (SP), segundo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, em entrevista coletiva nesta segunda-feira (31). O dado diverge do apurado pela Ouvidoria da Polícia de SP, que contabiliza 10 pessoas assassinadas. Segundo o governador, outras 10 foram presas.

A partir do momento em que a polícia é hostilizada, a partir do momento em que a autoridade policial não é respeitada, infelizmente há o confronto. A gente não deseja o confronto de jeito nenhum. Tanto é que tivemos 10 prisões. Aqueles que resolveram se entregar à polícia foram presos. Não houve hostilidade. Não houve excesso. Houve uma atuação profissional.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo

SSP questiona dados da Ouvidoria

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, questionou as fontes usadas pela Ouvidoria para confirmar as 10 mortes e culpou "narrativas" pelo desencontro de informações sobre os óbitos.

Ouvi declarações que a própria ouvidoria quer apurar 10 mortes. Não são 10 mortes. São oito confrontos com oito mortes. Não sei de onde está vindo essa informação [de 10 mortes].
Guilherme Derrite, secretário de Segurança Pública de São Paulo

Derrite também afirmou que:
O autor do tiro que matou o policial foi identificado por provas testemunhais dos outros indivíduos presos. O cupom fiscal da compra de um salgado em uma lanchonete pelo suspeito também fez a polícia identificá-lo. Derrite informou que os agentes verificaram imagens de câmeras de segurança do caminho entre o estabelecimento comercial e o ponto de onde teria saído o disparo que matou o PM.

A arma usada para matar o policial, uma pistola nove milímetros, ainda não foi apreendida pela polícia, segundo o secretário de Segurança.

As imagens registradas por câmeras dos policiais durante a operação serão analisadas pela ouvidoria da polícia.

Tarcísio diz que PM foi profissional

O governador classificou o ataque contra os policiais como "inadmissível" e parabenizou o trabalho de investigação da polícia.

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A PM é praticamente bicentenária. É uma polícia que é profissional, age com profissionalismo e que deu uma grande demonstração de profissionalismo nessas operações.
Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo

Morte de PM e retaliação violenta

O soldado Patrick Bastos Reis foi assassinado durante patrulhamento na comunidade Vila Zilda na noite da quinta-feira (27).

Ele trabalhava com colegas do 1º Batalhão de Choque quando o grupo foi "atacado por criminosos armados que efetuaram disparos de arma de fogo", segundo a SSP.

Além de Patrick, um cabo também foi atingido por um tiro e levado a uma UPA da região. Ele não corre risco de morte.

Uma operação para identificar os suspeitos do crime foi iniciada ainda na quinta-feira e equipes da Segurança Pública seguiram para o litoral na sexta-feira, na Operação Escudo.

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O suspeito de atirar contra o policial foi preso ontem, segundo Tarcísio de Freitas. Antes de se entregar, ele usou as redes sociais para pedir que "parassem a matança"

O UOL teve acesso a áudios em que moradores do Guarujá afirmam que agentes da Rota encapuzados invadiram casas nas comunidades.

Segundo os relatos, os policiais também teriam torturado um dos mortos, que estaria com marcas de queimaduras de cigarro no corpo.

Moradores acusam ainda os policiais de terem forjado flagrantes. Outro relato é de que uma das vítimas mortas seria uma pessoa com esquizofrenia.

As denúncias são acompanhadas pela Ouvidoria das polícias, pela Comissão de Direitos Humanos da Alesp e pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP.

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