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Em debate drive-in, Marchezan é chamado de "roteirista de ficção"

Debate em Porto Alegre foi em sistema de drive-in por conta da pandemia - Mateus Bruxel/Agência RBS
Debate em Porto Alegre foi em sistema de drive-in por conta da pandemia Imagem: Mateus Bruxel/Agência RBS

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

28/09/2020 12h28

O atual prefeito de Porto Alegre e candidato à reeleição, Nelson Marchezan (PSDB), foi alvo de ataques de seus adversários durante debate na manhã de hoje.

O tucano chegou a ser chamado de "roteirista de peça de ficção", "corrupto" e autor de "fake news".

O evento, organizado pela Rádio Gaúcha em um estacionamento em sistema drive-in, por conta da pandemia do novo coronavírus, começou morno com os candidatos respondendo perguntas da população.

Ali já respingaram algumas críticas a Marchezan. Mas o embate tomou fôlego quando se abriu espaço às perguntas entre os políticos.

Um dos primeiros a dar uma disparada contra Marchezan foi o ex-prefeito José Fortunati (PTB).

O político criticou a extinção, pelo atual chefe do Executivo municipal, de um projeto de R$ 445 milhões voltado para a melhoria da educação na cidade, em abril de 2017. E pediu a opinião da deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL), favorável ao projeto na época que estava na Câmara Municipal.

"O Marchezan simplesmente perdeu esse dinheiro. Fico me perguntando qual o prefeito que perde R$ 400 milhões para a educação pública, sem contrapartida? Ainda mais nesse momento que estamos precisando de recursos para garantir qualidade nas escolas e a volta às aulas com segurança", disse Fernanda.

Apresentador faz perguntas a candidatos em Porto Alegre dentro de carros - André Ávila/Agência RBS - André Ávila/Agência RBS
Apresentador faz perguntas a candidatos em Porto Alegre dentro de carros
Imagem: André Ávila/Agência RBS

Minutos depois, o candidato Luiz Devair (PCO) foi provocativo e perguntou para Marchezan por que, ao invés de usar para publicidade, não utilizou R$ 3,1 milhões para a saúde dos moradores da cidade

O gasto foi o pretexto utilizado para a abertura de processo de impeachment contra o atual prefeito na Câmara.

O atual prefeito rebateu e disse que diminuiu filas de atendimento na saúde básica e que, durante a pandemia, não deixou ninguém sem atendimento.

"Quem entende um pouquinho de saúde, sabe que a regra número um em saúde é informar. A regra número um, dois, três, quatro, cinco e dez durante uma pandemia é informar. Por isso, mesmo com a Câmara ter aprovado R$ 6 milhões em saúde e publicidade pelo Fundo (Municipal de Saúde), nós aplicamos R$ 3 milhões. E nós fomos, dos últimos governos, o que menos utilizou publicidade do governo municipal", defendeu-se Marchezan.

Na réplica, Devair disse que a população estava morrendo na capital gaúcha por falta de testes de covid-19. Mas o atual prefeito frisou que Porto Alegre era a capital com menos mortes pelo novo coronavírus e, na sequência, o político alfinetou o ex-prefeito Fortunati.

"O senhor está desatualizado. No caso de Fortunati não é a desatualização, é vontade de falar, que ele sabe que não é verdade, durante três anos, ele pagou várias gratificações de R$ 8.000 para pessoas do PDT e nós perdemos o recurso porque ele afundou Porto Alegre, E teve as contas reprovada em 2016", disse Marchezan, já sendo interrompido pelo apresentador.

As críticas a Marchezan engrossaram quando Fernanda perguntou para Fortunati se ele havia entregado a prefeitura quebrada.

"O que acontece com o atual prefeito: fake news a todo momento. Ele começou a gestão terminando com o sistema de transparência, que havíamos implementado, era nota 10", disse o ex-prefeito.

A psolista aproveitou para disparar quando Marchezan. "Como prefeito, Marchezan é excelente roteirista de peça de ficção. Ele criou um orçamento fictício para justificar sua política contra o povo e sobretudo contra os municipários, confiscando salário, atacando a carreira e humilhando gente que ficam. Felizmente, Marchezan, os governos passam, mas os municipários ficam. Eu vou revogar tudo", salientou Fernanda.

Nas considerações finais, a psolista aproveitou para chamar Marchezan de corrupto.