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Mesmo com risco da pandemia, número de candidatos acima de 80 anos aumenta

Candidata a vice em SP, a deputada Luiza Erundina (PSOL) é uma das idosas em campanha neste ano - Jorge Araújo/Folhapress
Candidata a vice em SP, a deputada Luiza Erundina (PSOL) é uma das idosas em campanha neste ano Imagem: Jorge Araújo/Folhapress

Hygino Vasconcellos

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

28/09/2020 17h32

Apesar do risco do coronavírus, as eleições municipais deste ano vão ter mais candidatos acima de 80 anos. Na lista, há nomes conhecidos, como a candidata à vice-prefeita Luiza Erundina (PSOL-SP), mas a maioria são anônimos ao público em geral. Na comparação com o pleito de 2016, o aumento foi tímido: 49 nomes a mais (alta de 6,5%).

Neste ano, a maior parte dos "vovôs da política" disputam o cargo de vereador: são 646 pleiteando a vaga. Na sequência, há 79 pessoas concorrendo a vice-prefeito e 71 a prefeito. Na eleição passada, a proporção era parecida. Entretanto, chama a atenção o aumento de 47,9% no número de candidatos a prefeito com mais de 80 anos. De 48 passou para 71. Um dos motivos pode ser a memória dos eleitores sobre esses nomes, o chamado "recall", que ajudaria no resultado eleitoral com a diminuição das campanhas de rua.

A análise dos dados também revela desigualdade de gênero entre os postulantes. Neste ano, o número de mulheres acima de 80 anos disputando uma vaga não chega a 20%. A variação mais gritante ocorre entre os candidatos ao posto de prefeito: são 70 homens nesta faixa etária contra apenas uma mulher. No pleito passado, quatro mulheres nessa faixa disputaram o cargo máximo do Executivo municipal contra 42 homens.

Além disso, dois estados do Sudeste concentram o maior número de candidatos nessa faixa etária: Minas Gerais (177) e São Paulo (167). O Paraná fica na terceira posição, com 58 pessoas.

Apesar disso, os "vovôs da política" representam 0,1% do total de candidatos às eleições. O cientista político da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul) Augusto de Oliveira observa que o reduzido envolvimento reflete o que já acontece no mercado profissional: muitos dedicam essa fase da vida para aproveitar a aposentadoria. "Assim como qualquer outra atividade, participar das eleições envolve certo esforço, e muitas pessoas acima de 80 anos podem não se sentir à vontade."

Entretanto Oliveira reconhece a necessidade de representantes desta faixa etária para diversificar ainda mais a política brasileira. "É importante a representação de pessoas mais idosas. Eles sofrem preconceito, tanto que durante a pandemia, falava-se que não importava se eles morressem de coronavírus, que já estavam velhos. E a gente sabe que isso não é verdade."

Por outro lado, o professor afirma que os candidatos com 80 anos podem encontrar dificuldades em uma campanha eleitoral em meio à pandemia. Sem familiaridade com tecnologia, muitos podem acabar perdendo terreno e, sem alternativa, acabarem indo às ruas e se expondo à doença.