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Processo que suspendeu Sabará deixa Novo mais 'forte', diz presidente

Campanha da candidatura de Sabará a prefeito está paralisada - Reprodução/Facebook
Campanha da candidatura de Sabará a prefeito está paralisada Imagem: Reprodução/Facebook

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

01/10/2020 04h00Atualizada em 01/10/2020 08h05

O Novo estava com a campanha à Prefeitura de São Paulo paralisada em razão de um processo contra o candidato Filipe Sabará na Comissão de Ética do partido. Para o presidente do diretório municipal, Júlio Rodrigues, porém, o revés fortalece a legenda. "O processo inteiro, como está sendo conduzido, deixa o partido mais forte, maior. Tenho plena convicção disso", afirmou Rodrigues.

Na semana passada, um membro do Novo apresentou uma ação contra Sabará na comissão por desalinhamento com diretrizes do partido —o processo interno corre sob sigilo. No dia seguinte, Sabará teve seus direitos suspensos e, por consequência, a campanha foi suspensa. Ele tem até sábado para apresentar sua defesa. Na sequência, o partido deverá definir se a campanha poderá voltar ou se será derrubada de vez.

Ontem, porém, o TSE concedeu uma liminar a Sabará para que ele possa retomar sua campanha. A entrevista com Rodrigues foi realizada antes de a Justiça Eleitoral ter publicado a decisão favorável ao candidato do Novo.

O Novo não diz abertamente o motivo principal do processo, mas inconsistências quanto a informações apresentadas pelo candidato, como seu currículo, seriam causas. A Faap (Fundação Armando Alvares Penteado) chegou a desmentir que Sabará tenha feito um curso de pós-graduação na instituição. O político também alterou sua declaração de bens no registro de candidatura.

Posicionamentos de Sabará favoráveis ao ex-prefeito Paulo Maluf (Progressistas) e ao governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) também teriam gerado ruídos dentro do partido.

"Realmente, é uma situação difícil [a paralisação da campanha], não dá para negar. Ninguém esperava. Mas fico feliz porque o partido mostra que ele é diferente dos outros", diz Rodrigues. "Mesmo correndo risco de ter um possível prejuízo eleitoral em uma candidatura majoritária, o partido não abre mão de seus princípios e valores."

Sobre as informações inconsistentes apresentadas por Sabará, o presidente municipal diz que "o partido tem uma premissa de acreditar nas pessoas". Por esse motivo, ele diz crer que não houve falha no procedimento. "Nós acreditamos que toda documentação que a gente recebe não é falsificada."

Rodrigues diz não saber "qual é a questão no processo da CEP [Comissão de Ética Partidária]" contra Sabará, mas afirma que, "se algum dia vier ao conhecimento de que a documentação apresentada por qualquer candidato do partido era falsa, ele vai sofrer as consequências dos seus atos".

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Rodrigues é presidente do diretório municipal do Novo
Imagem: 6.nov.2018 - Reprodução/Facebook/juliocesar.nogueirarodrigues

"Qualquer coisa que não era de conhecimento do partido e vem ao conhecimento do partido [em termos de] algum ilícito, não tem como a gente falar: 'Agora não tem mais prazo para fazer alguma coisa'. Se aparece alguma coisa, a gente tem que agir. Não pode deixar a coisa errada, não", diz Rodrigues. Por dizer não conhecer a questão levada à comissão, ele evita comentar a situação de Sabará.

Ele diz confiar "nas instituições do partido", como a comissão. "O que decidirem na comissão de ética, no diretório nacional, eu confio. A longo prazo, felicito o partido por estar agindo de uma maneira correta", afirma.

Candidatos a vereador reclamam por campanhas paradas

A suspensão da candidatura tem causado reações nas campanhas a vereador na capital. Alguns afirmam estar sem saber nada da situação e com a sensação de perder tempo, já que estão com material de campanha parado em gráficas por não saber qual será o desfecho sobre Sabará. "Vamos esperar", diz Rodrigues.

Sabará se diz alvo de perseguição por uma ala do partido, que repudiou a declaração do candidato em nota.

Sobre as falas do político sobre Maluf e Bolsonaro, Rodrigues diz que não ser possível aceitar "elogio a 'rouba, mas faz'". "Com relação a governo Bolsonaro, não foi elogio. A posição do partido é de independência do governo Bolsonaro."

"Estamos deixando o processo correr o seu curso", diz. A expectativa é que, até a semana que vem, a situação esteja definida na comissão de ética do partido.