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Aniversariante de 30 anos, MTV imitou e foi imitada em campanhas políticas

Programação interrompida da MTV para o horário polítco - Reprodução
Programação interrompida da MTV para o horário polítco Imagem: Reprodução

Matheus Pichonelli

Colunista do UOL

20/10/2020 14h39

Se viva fosse, a MTV, ao menos aquela emissora musical que formou uma geração de jovens descolados entre as décadas de 1990 e 2010, faria nesta terça-feira (20) 30 anos.

Os clipes e a linguagem moderna (para a época) fizeram escola e influenciaram a produção audiovisual pelo país —inclusive a propaganda eleitoral gratuita na TV.

Em 1992, por exemplo, a campanha do então candidato do PSDB a prefeito de São Paulo, Fabio Feldmann, levou ao ar a FTV, "a emissora musical dos tucanos". A propaganda contava com um cenário psicodélico e uma "VJ" que atendia a "inúmeros pedidos" do público para exibir o "Rap do Fabio" — uma obra-prima com direito ao verso "do futuro prefeito o Sting é amigão".

Em preto e branco, o clipe era um candidato a hit de uma campanha que não decolou. Feldmann ficou em quatro lugar na disputa que, apesar do apelo ao público jovem, acabou consagrando o já dinossauro Paulo Maluf.

Ainda em 1992 a linguagem da emissora paulistana inspirou a campanha de Benedita da Silva, do PT, para a Prefeitura do Rio. As referências estavam tanto na fonte das letras apresentadas na tela quanto na participação de artistas como Ed Motta, que gravou uma vinheta de apoio à então candidata.

Trinta anos depois, a MTV parece estar no DNA da pegada teen que Joice Hasselmann tenta imprimir em sua campanha para a Prefeitura de São Paulo pelo PSL. Com tempo escasso, os marqueteiros apelaram para uma linguagem cheia de referências pop e cortes rápidos para apresentar a postulante como a heroína da direita-raiz.

Maldosos dirão que a estratégia deu tão certo que ficou parecendo fim de propaganda de remédio — daquelas em que o narrador corre contra o tempo para avisar que apersistiremossintomasummédicodeveráserconsultado. Até o momento, Joice é traço no Ibope, com apenas 1% das intenções de voto.

Além de inspiração, a MTV já foi motivo de dor de cabeça para candidatos. Em 2006, a emissora do Grupo Abril lançou uma vinheta pedindo para a audiência preparar "seu saco, os ovos e os tomates" porque vinha lá o "papo furado" da propaganda política. Políticos como César Maia chiaram, e os detentores da marca foram acusados de fazer campanha pelo voto nulo. A ideia, segundo disse à época o criador da campanha, Mauro Dahmer, era "combater o voto cordeirinho do qual os jovens são vítimas".

Mas nenhuma contribuição da MTV para a cena política foi maior do que o cosplay de horário eleitoral levado ao ar pela trupe da Comédia MTV, programa que fez sucesso entre 2010 e 2012 e lançou alguns dos mais importantes humoristas do país até hoje.

No programa, o então jovem talento Marcelo Adnet se lançava candidato pelo PS, o partido da Sinceridade. Prometia investir o dinheiro dos impostos em churrascos, prostitutas, jato particular e se comprometia a deixar drogas ilícitas entrarem livremente no país. "Se alguém descobrir alguma das minhas falcatruas eu negarei até o final", prometia o candidato sincerão. Um clássico em uma época em que tirar dinheiro do cofre ainda guardava o seu sentido literal.