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Com brecha na regra, Bruno Reis evita adversários em debate em Salvador

Lider com 43% das intenções de voto, Bruno Reis (DEM) dirigiu suas perguntas no debate a candidato com 0% na pesquisas - Divulgação/Debate TVE
Lider com 43% das intenções de voto, Bruno Reis (DEM) dirigiu suas perguntas no debate a candidato com 0% na pesquisas Imagem: Divulgação/Debate TVE

Aurelio Nunes

Colaboração para o UOL, em Salvador

24/10/2020 23h12

Uma brecha no regulamento do debate da TVE permitiu ao candidato Bruno Reis (DEM) evitar o embate direto com seus adversários mais contundentes.

Isolado no primeiro debate, realizado pela Band, o representante da situação e líder nas pesquisas de opinião pública desta vez valeu-se de uma dobradinha com o candidato Celsinho Cotrim (Pros), a quem dirigiu as duas perguntas que tinha direito, nos dois primeiros blocos do programa.

Em flagrante contraste com tom ácido e crítico dos demais candidatos à administração do prefeito ACM Neto, Cotrim chegou a usar seu tempo para explicar a razão das trocas de afabilidades com Bruno Reis. "Isso aqui não é um ringue, a gente não está aqui para se machucar, mas para apresentar propostas", justificou. "Entendemos que o que é bom temos que valorizar, e o que não é bom temos que corrigir", declarou, em outro momento, enquanto admitia dar segmento ao programa de recuperação de moradias populares implantado pela atual administração municipal.

Segundo levantamento realizado esta semana em parceria entre o Jornal A Tarde e a Potencial Pesquisa, Bruno Reis figura com 43% das intenções de voto e 49% dos votos válidos, o que o coloca em condições de eleger-se ainda no primeiro turno. Major Denice (PT), segunda colocada, com 8%, Pastor sargento Isidório (Avante) tem 6%, Olívia Santana (PCdoB) 5%, Bacelar (Podemos) e Hilton Coelho (PSOL), ambos com 1%, bem que tentaram, mas tiveram poucas oportunidades para polarizar com o líder da pesquisa.

Além de conseguir evitar o embate direto na sua série de perguntas, Bruno Reis não caiu nas provocações dos adversários. Hilton Coelho, por exemplo, disse três vezes que ele mentia ao falar que houve avanço no combate ao desemprego em Salvador. "É impressionante, Bruno Reis mente sem nenhum tipo de escrúpulo: Salvador tinha 7,2% de desemprego em 2012 e antes da pandemia tinha 17%, tudo isso apoiando uma politica perversa e corrupta. O candidato teve como primeiro padrinho político o bandido do Geddel vieira Lima, preso com R$ 51 milhões no apartamento, caso que soma-se agora ao dinheiro encontrado na cueca do vice-líder do governo, que é do partido dele que ele está agora e não deve ser expulso", criticou.

Alheio à sugestão de Hilton, Bruno reis sequer pediu direito de resposta e manteve a toada de enaltecer os feitos da atual gestão municipal, da qual é vice-prefeito.

Além de Hilton, Bacelar foi o único que conseguiu fazer pergunta a Bruno Reis. Questionou o candidato demista sobre suas propostas de valorização ao magistério. "Como secretario de educação dei os maiores aumentos salariais aos professores. Já a atual gestão é inimiga dos profissionais de educação, que não recebem aumento há seis anos, não deixam eles se aposentar e agora retiraram o auxilio alimentação de 220 reais", criticou Bacelar.

Mais uma vez, Bruno Reis evitou o embate e até mesmo a comparação entre o governo que faz parte com o anterior, de João Henrique. "Foi na nossa gestão que implantamos o plano de cargos e salários, universalizamos o acesso à pré-escola e vamos universalizar o acesso à creche", prometeu.

Mesmo sem a oportunidade de dirigirem-se diretamente ao principal alvo do debate, os outros adversários, cada qual ao seu modo, não deixaram de alfinetar o candidato de ACM Neto.

Major Denice perguntou a Bacelar porque Salvador não consegue deixar de ser a "capital nacional do desempego", criticou "indústria das multas" e ainda contestou o percentual de apenas 0,2% destinado à cultura pela gestão municipal. "Vamos criar um centro de capacitação profissional de turismo atrelado à capacitação profissional, para mostrar que Salvador é uma cidade de braços abertos para receber as pessoas e que cultura é muito mais do que carnaval".

Pastor Sargento Isidório disse que os passageiro de ônibus urbanos andam espremidos como "lata de sardinha, um com o sovaco na cara do outro" e disse que "ACM Neto defende os direitos dos empresários do setor", enquanto os rodoviários ficam desempregados pela redução da frota durante a pandemia.

Em suas considerações finais, Olívia Santana fez um apelo à militância do campo democrático e à população negra, que representa mais 70% dos soteropolitanos. "Vocês sabem onde eu estava em 2012, quando o DEM do candidato Bruno Reis tentava impedir no STF que os negros tivessem acesso às cotas nas universidades. Implantei a matrícula informatizada porque o DEM não se preocupava com as mães da periferia que dormiam na fila para garantir uma vaga aos seus filhos na rede municipal. Espero que vocês rompam com essa cultura de só eleger os filhos da elite, tenham coragem de eleger uma filha do povo", discursou.

O debate de hoje foi o segundo e provavelmente o último antes do pleito de 15 de novembro, já que as outras emissoras, Rede Bahia, afiliada da Globo, TV Aratu (SBT) e Itapoan (Record), desistiram de organizar o encontro, Fato que despertou revolta entre alguns, como Bacelar, que sugeriu um manifesto assinado por todos os candidatos para que as emissoras "cumpram com as obrigações inerentes a uma concessão pública" e a ironia de outros, como Hilton Coelho, que apelou a Bruno Reis que fale com seu 'patrão' para a TV Bahia fazer o debate.