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Com fragmentação, próximo prefeito do Rio terá oposição mais forte

Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos), candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro - André Melo Andrade/Immagini/Estadão Conteúdo e Reginaldo Pimenta/Agência O Dia/Estadão Conteúdo
Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos), candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro Imagem: André Melo Andrade/Immagini/Estadão Conteúdo e Reginaldo Pimenta/Agência O Dia/Estadão Conteúdo

Igor Mello

Do UOL, no Rio

17/11/2020 04h00

O próximo prefeito do Rio de Janeiro —que sairá do 2º turno entre Eduardo Paes (DEM) e Marcelo Crivella (Republicanos)— deve enfrentar um cenário de oposição fortalecida na Câmara Municipal a partir de 2021, consequência da nova correlação de forças no Legislativo carioca (veja aqui os 51 vereadores eleitos).

Para especialistas ouvidos pelo UOL, Paes ou Crivella devem ser capazes de montar uma base que garanta maioria na Câmara, mas enfrentarão um núcleo opositor maior. O PSOL, que elegeu sete vereadores, deve ser oposição a qualquer um dos dois. Além disso, tanto o DEM de Paes quanto o Republicanos de Crivella também fizeram sete cadeiras na Casa e devem se opor ao futuro prefeito caso sejam derrotados neste 2º turno.

A fragmentação provocada pelo fim das coligações proporcionais e pela cláusula de barreira também forçará uma negociação no varejo: 23 partidos conseguiram eleger vereadores, e 11 deles elegeram apenas um cada.

Para o cientista político Ricardo Ismael, professor da PUC-Rio, Paes terá mais facilidade na montagem de uma maioria do que Crivella.

"Independentemente de quem vencer, vai ter que conversar e negociar com outros partidos para conquistar a maioria na Câmara. Nenhum deles termina o primeiro turno imaginando essa maioria com base na aliança que os apoiou no primeiro turno", explica.

Os partidos que apoiaram Paes fizeram 15 dos 51 vereadores na próxima legislatura, enquanto os de Crivella somam 14. A esquerda —PSOL, PT e PDT— tem outras 12 cadeiras, e as dez restantes ficam com legendas que estiveram com outros candidatos.

Para Ismael, Crivella terá contra si em uma eventual segunda gestão todo o bloco de esquerda por conta da associação dele com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). E também os vereadores do DEM, de Eduardo Paes. Juntas, essas forças políticas têm 19 dos 51 assentos no Palácio Pedro Ernesto —quase 40% do total.

O cientista político Paulo Baía, professor da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), vê um cenário menos nublado para o futuro prefeito. No caso de Paes, avalia que será possível formar uma base sólida sem muitas dificuldades.

"As Câmaras dos Vereadores, sobretudo a do Rio, têm uma tendência em se alinhar ao prefeito em exercício. O perfil da maioria dos eleitos em 2020 é esse, fazer uma aliança e apoiar o prefeito eleito", opina.

Na visão de Baía, as condições de governabilidade não devem mudar muito, mas haverá uma oposição mais presente do que em legislaturas anteriores.

"O que você vai ter nessa Câmara é uma oposição mais qualificada. A bancada do PSOL cresceu, o PT terá três vereadores combativos, o PDT também tem um", exemplifica.

No caso de uma vitória de Paes, Ricardo Ismael avalia que ele terá que mudar a forma com que se relaciona com o Legislativo, em comparação com seus dois mandatos anteriores, quando tinha uma maioria esmagadora e era acusado pelos opositores de usar o "rolo compressor" em votações de seu interesse.

"É um quadro em que terá que tomar mais cuidado. Antes a Câmara era quase uma extensão do gabinete do prefeito, e acho difícil que isso aconteça agora. Vai ter que ter mais conversa, mas ele tem habilidade para isso", conclui.