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Menos de 20% dos candidatos viraram no 2º turno em capitais

Os deputados federais João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), herdeiros políticos de Miguel Arraes, se enfrentam na disputa no Recife - Arte/UOL
Os deputados federais João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), herdeiros políticos de Miguel Arraes, se enfrentam na disputa no Recife Imagem: Arte/UOL

Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

27/11/2020 04h00

O último Datafolha indicou empate técnico na disputa pela Prefeitura de Recife com uma leve vantagem de 52% para a candidata do PT, Marília Arraes, sobre João Campos (PSB), com 48%. Uma possível vitória petista representaria uma virada em relação ao primeiro turno, quando o pessebista saiu em primeiro. O evento é raro em eleições nas capitais.

Dos 97 segundos turnos disputados nas capitais brasileiras desde 1992, apenas 17 (menos de 20%) tiveram virada. No Recife, isso só aconteceu uma vez, em 2000. Em mais de uma ocasião, só houve em três lugares: Fortaleza e Rio de Janeiro, que também disputam segundo turno neste ano, e Macapá, que teve as eleições adiadas por causa dos apagões.

O segundo turno foi instituído no Brasil pela Constituição Federal de 1988 para as disputas presidencial, estaduais e municipais com mais de 200 mil eleitores. Nos municípios, a primeira eleição a ter duas rodadas foi 1992. Até hoje, entre as capitais, só Palmas ainda não atingiu a cota mínima de votantes.

Viradas entre um turno e outro somente ocorreram 17 vezes em 14 capitais: Belém, Belo Horizonte, Campo Grande, Curitiba, Fortaleza, Macapá, Manaus, Natal, Porto Alegre, Porto Velho, Recife, Rio de Janeiro, São Luís e São Paulo.

Se considerar uma diferença grande de pontos entre quem liderou o primeiro turno e o segundo colocado, fica ainda mais difícil. Uma reversão de mais de dez pontos só aconteceu uma vez, em Manaus —e quem perdeu foi Amazonino Mendes, que disputa o cargo mais uma vez neste ano.

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, dos seis segundos turnos disputados, só Fernando Haddad (PT) conseguiu virar sobre José Serra (PSDB) em 2012. No Rio, as duas viradas foram de César Maia, em 1992 e 2000, por dois partidos diferentes.

Veja a seguir as cidades que disputam segundo turno em 2020 e já viram o jogo virar.

Belém

Coincidentemente, a única virada de Belém foi sofrida por Edmilson Rodrigues (PSOL), que disputa o segundo turno neste ano com o Delegado Eguchi (Patriota). Em 2012, ele passou em primeiro com 32% e 15 mil votos (cerca de dois pontos percentuais) a mais que Zenaldo Coutinho (PSDB). Na disputa a dois, perdeu por 56% a 43% (100 mil votos a menos). Neste ano, sua margem na primeira votação foi de 11 pontos percentuais (80 mil votos).

Fortaleza

Em 2004, Luizianne Lins (PT) virou sobre Moroni Torgan (PFL), que registrou quatro pontos de vantagem na primeira votação. Situação semelhante ocorreu em 2012, quando Roberto Cláudio (PSB) saiu do primeiro pleito dois pontos atrás de Elmano de Freitas (PT) e venceu com 53%. Neste ano, Sarto (PDT), com 35,7%, também teve uma distância de dois pontos sobre Capitão Wagner (PROS).

Manaus

Única capital a ter segundo turno em todas as oito eleições desde 1992, a virada também foi sofrida por um candidato do pleito atual. Em 2004, Amazonino Mendes (então no PFL) despontou no primeiro turno com 43%, 15 pontos à frente de Serafim Corrêa (PTB), que acabaria virando por três pontos de vantagem. Neste ano, pelo Podemos, a distância foi menor: 1,6 ponto percentual à frente de David Almeida (Avante).

Porto Alegre

Em 2004, José Fogaça (PPS) foi para o segundo turno com sete pontos (75 mil votos) a menos que o ex-prefeito Raul Pont (PT), mas virou o jogo com vantagem de quase sete pontos (mais de 50 mil votos). Neste ano, Sebastião Melo (MDB) teve vantagem de apenas dois pontos (13 mil votos) sobre Manuela D'Ávila (PCdoB).

Porto Velho

Em 2012, Lindomar Garçon (PV) despontava todas as pesquisas e passou para o segundo turno com cinco pontos de diferença de Mauro Nazif (PSB), que acabou vencendo o pleito com vantagem de quase sete pontos. Em 2020, o atual prefeito, Hildon Chaves (PSDB), conseguiu 20 pontos sobre Cristiane Lopes (Progressistas).

Recife

Em 2000, Roberto Magalhães (PFL) quase se elegeu no primeiro turno, com 49,3% dos votos —quase 100 mil de vantagem sobre João Paulo (PT). O petista conseguiu mais 135 mil votos no segundo round e acabou eleito com 50,3%. Neste ano, Campos teve uma vantagem de 1,2 ponto sobre Marília (cerca de 10 mil votos).

Rio de Janeiro

César Maia (DEM) protagonizou duas viradas. Em 1992, então pelo PMDB, ficou atrás de Benedita da Silva (PT) por 11 pontos no primeiro turno e acabou ganhando com 51,8%. Em 2000, no PTB, saiu atrás de Luiz Paulo Conde (PFL) também por 11 pontos e, mais uma vez, levou com 51%. Neste ano, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) teve uma vantagem de 15 pontos sobre o atual prefeito, Marcelo Crivella (Republicanos).

São Paulo

Dos seis segundos turnos disputados, a única virada em São Paulo foi de Fernando Haddad (PT), em 2012. José Serra (PSDB) liderou a primeira votação com dois pontos a mais que o petista (pouco mais de 110 mil votos), que acabou virando e acabou com 55% (quase 600 mil votos a mais que o tucano). Agora, o atual prefeito, Bruno Covas (PSDB), teve uma vantagem maior sobre Guilherme Boulos (PSOL): 12 pontos (quase 700 mil votos de diferença).

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