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Mesmo derrotado em SP, Boulos dobrou votação entre 1º e 2 º turnos

Do UOL, em Brasília

30/11/2020 15h24Atualizada em 30/11/2020 15h24

Mesmo derrotado nas urnas no domingo (29), o concorrente do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Guilherme Boulos, conseguiu dobrar o seu número de votos na transição entre o primeiro e o segundo turnos.

Na rodada inicial de votação, quando conseguiu uma arrancada para enfrentar Bruno Covas (PSDB) na etapa decisiva, o psolista contou com a preferência de 1.080.736 eleitores (20,24%). Duas semanas depois, o desempenho foi 2.168.109 votos (40,62%).

A comparação é apenas quantitativa e não leva em conta o fato de que os turnos têm características distintas. O primeiro foi disputado por 13 pleiteantes à prefeitura, e Covas e Boulos foram os mais votados. Já o segundo teve o confronto direto entre os dois.

O desempenho de Covas foi aproximadamente 80% superior em relação ao número absoluto de votos. O tucano teve 1.754.013 no primeiro turno (32,85%), e 3.169.121 no segundo (59,38%).

Neste segundo turno, Covas venceu em 50 das 58 zonas eleitorais —seu melhor desempenho foi em Indianópolis, na zona sul da cidade, onde o tucano obteve 75,87% dos votos válidos, o que corresponde a 86.430 mil eleitores. O primeiro turno ele venceu em todas as regiões.

Boulos, por sua vez, se destacou em Cidade Tiradentes, no extremo da na zona leste, com 56,42% dos votos da região. O resultado representa uma vitória importante, já que a zona eleitoral havia sido perdida para o PSDB nas últimas eleições, em 2016, e também preferiu Covas no primeiro turno.

A avaliação feita por lideranças partidárias e setores da esquerda, espectro ideológico representado por Boulos, é que, apesar da derrota, houve um resultado positivo na forma como a campanha do psolista cresceu em SP e avançou ao segundo turno.

Um dos pontos que se destacam é a união dos partidos de esquerda em nome de uma única candidatura —nos últimos anos, o chamado campo progressista tem sido marcado por um racha entre legendas que possuem identificação ideológica, porém interesses eleitorais distintos.

A avaliação dentro do PSOL é que tanto a sigla quanto Boulos saem do pleito em "outro patamar".

"A campanha de Boulos conseguiu agregar no segundo turno todas as legendas de esquerda, mostrando a possibilidade real de unidade em torno de um programa transformador e a capacidade do PSOL de ser combativo e ao mesmo tempo formar maioria para enfrentar os grupos dominantes", escreveu ao UOL Juliano Medeiros, presidente nacional do PSOL.