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Governador de Connecticut reconhece ineficiência do controle de armas nos EUA

Dannel P. Malloy, governador do Estado de Connecticut (à direita), conversa com policiais nos arredores da escola primária Sandy Hook, em Newtown, no Estado americano de Connecticut, onde um tiroteio matou pelo menos 27 pessoas, nesta sexta-feira - Jessica Hill/AP
Dannel P. Malloy, governador do Estado de Connecticut (à direita), conversa com policiais nos arredores da escola primária Sandy Hook, em Newtown, no Estado americano de Connecticut, onde um tiroteio matou pelo menos 27 pessoas, nesta sexta-feira Imagem: Jessica Hill/AP

Do UOL, em São Paulo

17/12/2012 19h41

O governador de Connecticut (EUA), Dannel Malloy, reconheceu a ineficiência das leis americanas referente ao controle das armas durante uma coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (17), após o enterro das vítimas do massacre na escola primária Sandy Hook, em Newtown, no Estado americano, que matou 26 pessoas na última sexta-feira (14).

Durante o breve discurso, Malloy reconheceu que há maneiras de prevenir atentados como o do colégio e também se mostrou bastante interessado em debater a questão do armamento.

"Connecticuttem algumas das leis mais difíceis de armas de todo país e mediante ao fato é normal que uma abundância de perguntas sobre o tema venham a surgir", disse ele, que completou: "Mas, agora, o nosso principal foco é ajudar a nossa comunidade e nosso Estado passar por este momento difícil", disse.

Segundo ele, não há palavras para descrever os sentimentos "dos pais, dos outros parentes e dos amigos das crianças". Malloy, no entanto, afirmou que o Estado está pronto "para ajudar as famílias, seus amigos, parentes, professores e administradores escolares e os filhos de qualquer maneira possível."

O governador aproveitou ainda para agradecer ao presidente Barack Obama pelo apoio ao Estado, assim como todos os heróis deste trágico massacre: "Graças aos socorristas. É claro que suas ações salvaram vidas. E graças aos professores e administradores da escola. Eles são heróis."

Malloy finalizou o discurso fazendo um convite a todos os americanos. "Nós estamos pedindo que às 9h30 de sexta-feira (21) todo o Estado faça um momento de silêncio. Também estamos pedindo às casas de culto que toque seus sinos em homenagens às vítimas do atendando", pediu o governador, que pretende enviar carta aos outros 49 governadores americanos para participar deste ato.

Crianças enterradas em meio a promessas

A pequena cidade de Newtown (Connecticut, nordeste dos EUA) enterrou nesta segunda-feira as primeiras vítimas do massacre na escola primária de Sandy Hook, pouco depois de o presidente Barack Obama prometer um debate sobre medidas para "evitar tragédias como esta".

Os funerais de Noah Pozner e Jack Pinto, ambos de 6 anos, foram celebrados em Newtown e Fairfield, uma cidade vizinha.  As outras 20 crianças e 6 adultos mortos no massacre serão enterrados ao longo da semana.

"Não podemos tolerar mais isto. Estas tragédias devem terminar. E para que seja assim, devemos mudar", disse o presidente, Barack Obama, no domingo (16) durante visita a Newtown.

Este novo tiroteio, um dos mais letais dos últimos anos e um dos mais graves em um estabelecimento escolar, reacendeu o debate sobre as leis que regulamentam o direito de possuir armas - garantido pela Segunda Emenda à Constituição norte-americana.

Desde o massacre de sexta-feira se multiplicaram os pedidos para endurecer a legislação sobre armas de fogo. A senadora democrata Dianne Feinstein anunciou que, assim que o novo Congresso assumir, no começo de janeiro, apresentará um projeto de lei para proibir a compra de fuzis de assalto.

Já o senador democrata de Virgínia Ocidental, Joe Manchin, grande defensor da segunda emenda, pediu  um debate "sensato e razoável" sobre o controle das armas. Pedido semelhante foi feito pelo senador independente por Connecticut, Joseph Lieberman, que deixará o Congresso no próximo mês: "é preciso que todas as emoções que sentimos neste momento não desapareçam".

Mais de 140.000 pessoas tinham assinado na manhã desta segunda-feira a petição no site da Casa Branca para reivindicar uma lei sobre o controle das armas. No entanto, a Casa Branca informou que ainda não há "uma agenda concreta" sobre a posse privada de armas.

O porta-voz da Presidência, Jay Carney, disse que "nas próximas semanas" Obama transmitirá aos americanos possíveis abordagens depois de dizer, após a matança na escola de Connecticut, que recorreria a todos os instrumentos que tiver à sua disposição. "Não tenho propostas para apresentá-las. O presidente falou ontem (domingo) de avançar nas próximas semanas", disse Carney.

Uma lei, assinada pelo presidente Bill Clinton em 1994, determinava a proibição, mas expirou em 2004 e não foi mais renovada. Barack Obama propôs restabelecê-la durante sua campanha presidencial de 2008, mas durante sua gestão não fez disso uma prioridade.

 

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