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Internacional

Ainda hospitalizado, Nelson Mandela completa 95 anos com homenagens pelo mundo

Do UOL, em São Paulo

17/07/2013 20h37Atualizada em 18/07/2013 03h42

Internado desde 8 de junho para tratamento de uma infecção pulmonar, o líder sul-africano e prêmio Nobel da Paz Nelson Mandela completa 95 anos nesta quinta-feira (18), em um hospital situado na cidade de Pretória (cerca de 70 km de Johannesburgo), na África do Sul. Pelo fuso horário (de cinco horas à frente do Brasil), as comemorações já começam no país.

Apesar da idade avançada, do longo tempo de internação e do estado de saúde ainda considerado crítico pelos últimos boletins médicos, a família de Madiba –como Mandela é conhecido em seu país—pede que o dia seja de celebração, pois o líder ainda vive, e não de tristeza por ocasião de seus problemas de saúde.

O herói africano

  • Prêmio Nobel da Paz por sua luta contra a violência racial na África do Sul, Nelson Mandela - ou Madiba, como é chamado na sua terra natal - passou 27 anos preso e se tornou o primeiro presidente negro daquele país.

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"Este é o aniversário mais importante para a grande família Mandela e para todo o mundo. Neste ano celebraremos o 95º aniversário do meu avô, conscientes de que o mundo inteiro está esperançoso por sua recuperação", disse Mandla Mandela, neto mais velho de Madiba, no início da semana. Outro neto, Ndba, declarou que o avô estava “animado e respondia positivamente quando falavam com ele”. A mulher de Mandela, Graça Machel, disse estar “um pouco menos ansiosa” em relação à melhora do marido.

O ex-presidente da África do Sul Thabo Mbeki, que acompanha a evolução da saúde de Mandela, divulgou que ele poderia receber alta médica para continuar sua recuperação em casa.

E um amigo de longa data, o advogado George Bizos, que defendeu o líder nos tribunais do apartheid, fez um bom pedido para a data: “Espero que mesmo que ele não possa aproveitar seu 95º aniversário, que esteja bem para seu 96º”.

Dia Internacional de Nelson Mandela

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a mulher, Michelle, parabenizaram o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela pelo seu 95º aniversário e pediram "às pessoas de todas as partes" honrar o líder em seu Dia Internacional, celebrado nesta quinta-feira (18), utilizando seu legado como inspiração.

O 18 de julho é comemorado como o Dia Internacional de Mandela, criado pela ONU em 2009 em reconhecimento às contribuições do ex-presidente sul-africano à cultura de paz e liberdade.

Obama disse que sua família ainda se encontra comovida pela recente visita que realizaram à cela onde Mandela esteve preso na Ilha de Robben e ressaltou que o ex-presidente sul-africano "sempre será exemplo de fortaleza e inspiração por seu valor moral, bondade e humildade".

"Neste Dia Internacional de Nelson Mandela, as pessoas de todas as partes têm oportunidade de homenagear Madiba - como o líder sul-africano é conhecido em seu país - através de atos individuais e coletivos com seus serviços", acrescentou o presidente.

Além disso, Obama pediu que a vida do líder sul-africano e "seu firme compromisso com a igualdade, a reconciliação e a dignidade humana continuem sendo um farol para cada geração futura em sua busca de um mundo mais justo e próspero".

Uma resolução das Nações Unidas de 1º de dezembro de 2009 atesta a dedicação de Mandela à humanidade nos campos de resolução de conflitos, relações raciais, promoção e proteção dos direitos humanos, reconciliação, igualdade de gêneros e direitos das crianças e grupos vulneráveis, assim como a melhoria de comunidades pobres e subdesenvolvidas. O documento certifica sua contribuição internacionalmente na luta pela democracia.

No dia do aniversário de Mandela, todas as pessoas no mundo, em especial na África do Sul, são incentivadas pela ONU e pela Fundação Mandela a dedicarem 67 minutos de seu tempo para ajudar ao próximo (em referência aos 67 anos dedicados pelo ex-líder à humanidade e ao fim do apartheid).

"Passe à ação, inspire a mudança. Faça de cada dia um Dia de Mandela", diz  o lema das festividades deste ano.

Por todo o país, escolas, igrejas e várias instituições planejaram seus 67 minutos para contribuir para um mundo melhor. A assistência aos indigentes, a limpeza de ruas e campos e a plantação de árvores são algumas das atividades mais populares.

A presidência e boa parte dos ministros sul-africanos devem visitar escolas, apadrinhar orfanatos ou inaugurar casas sociais, como fará o próprio presidente do país, Jacob Zuma.

Às 8h (3h da manhã no horário de Brasília), crianças em vários locais cantam “Parabéns pra você”.

A Fundação Mandela, que coordena atos oficiais em parceria com entidades privadas, ainda organizou uma corrida de revezamento com trajeto de 67 quilômetros, em Johannesburgo, e uma passeata contra a fome, entre os estudantes da Universidade do Free State, no centro do país.

Fora da África do Sul, uma das homenagens mais importantes a Nelson Mandela vai ser realizada na sede nova-iorquina da ONU, que terá uma sessão especial para relembrar o julgamento, há 50 anos, em que os tribunais do regime do apartheid condenaram o líder à prisão perpétua.

Entre os convidados para a cerimônia, estará Andrew Mlangeni, condenado com Mandela no julgamento de Rivonia (hoje Johannesburgo) e companheiro de prisão durante décadas do ex-presidente sul-africano.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, será um dos oradores do encontro, que terá a presença também do ex-presidente dos EUA Bill Clinton.

Desligamento de aparelhos

No início de julho, a agência de notícias France Presse divulgou um documento que indicava que a família de Mandela, aconselhada por médicos, cogitava autorizar o desligamento dos aparelhos que o mantinham vivo artificialmente.

O documento, apresentado pelos parentes à Justiça em 26 de junho, afirmava que Mandela se encontrava "em um estado vegetativo permanente" e faz parte de uma ação judicial que questiona a exumação de três filhos de Mandela.

Há dois anos, Mandla, neto de Madiba, desenterrou os restos mortais de três filhos do líder sul-africano, na vila de Qunu, onde Mandela cresceu. Os três foram novamente sepultados, mas a 20 quilômetros da vila, em Mvezo, no local onde funciona um centro de visitantes e também um memorial, construído por Mandla em memória do avô.

Sem terem sido consultados sobre essa "transferência de sepulturas", outros integrantes da família decidiram processar Mandla e, logo após a divulgação do documento pela AFP, a Justiça do país ordenou que os restos mortais sejam levados de volta a Qunu, lugar onde Mandela já manifestou que deseja ser enterrado. (Com agências internacionais)

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