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Internacional

Síria destruiu evidências de que usou armas químicas, afirma Kerry

Do UOL, em São Paulo

26/08/2013 16h10

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, afirmou nesta segunda-feira (26) que o regime do presidente Bashar Assad destruiu evidências do ataque com gás tóxico em Damasco. Kerry disse também que  o ataque, "uma obscenidade indesculpável", foi obra do governo.

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"Em vez de permitir acesso imediato da ONU ao local dos ataques, eles atacaram mais a área e destruíram as evidências. Isso não é o comportamento de um governo sem nada a esconder", disse Kerry a jornalistas nesta segunda-feira (26).

Segundo o secretário, a inspeção da ONU no local não era para determinar qual dos lados do conflito usou armas químicas, mas sim se foram usadas.  "Há uma razão pela qual a comunidade internacional tomou passos para erradicar essas armas. (...) Essa norma internacional não pode ser violada sem consequências".

Apesar do tom acusatório ao governo sírio, o secretário de Estado americano não anunciou se Washington pretende tomar medidas contra o regime de Bashar Assad. "O presidente (Barack) Obama acredita que aqueles que usaram armas químicas devem ser responsabilizados", afirmou Kerry ao fim de sua fala, sem detalhar se os EUA intervirão no conflito no país.

A guerra na Síria já dura mais de dois anos e deixou milhares de mortos - quase 100 mil, segundo estimativas.

Na semana passada, gás tóxico foi usado em uma área no subúrbio de Damasco, matando pelo menos 355, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras, que estima ter realizado mais de 3.600 atendimentos de pessoas que inalaram gás. A oposição fala em mais de mil mortos no ataque e acusa o regime Assad pela matança. Já o governo sírio acusa os rebeldes pelo ataque e chegou a dizer que achou produtos químicos usados por eles

Segundo Kerry, "se a Síria quisesse demonstrar ao mundo que não usou armas químicas durante o incidente, teria parado seu bombardeio na região e oferecido o acesso imediato da ONU cinco dias atrás".

Desde a sexta-feira (23), autoridades dos Estados Unidos começaram a se manifestar com maior alarde sobre o suposto uso de armas químicas pelo governo da Síria. No fim de semana, os EUA começaram a reposicionar suas forças na região, para o caso de uma possível intervenção militar no país árabe.
 

Pressão

Outros países que integram o Conselho de Segurança da ONU e possuem grande poderio militar subiram o tom das falas sobre represálias ao suposto uso de armas químicas pelo governo do presidente sírio Bashar Assad.

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, afirmou nesta segunda-feira (26) que é possível que uma resposta contra a Síria aconteça sem a aprovação completa do Conselho de Segurança da ONU.

Uma fonte da Otan (aliança militar ocidental) afirmou que a organização mantém a situação na Síria sob "atenção constante" e considerou que, se for confirmado o uso de armas químicas, se trataria de um fato "completamente inaceitável" e uma clara violação das leis internacionais.

A Otan não comentou as informações sobre uma possível intervenção militar na Síria, já cogitada por Estados Unidos, o Reino Unido e França - países que lideraram uma operação militar multinacional na Líbia em 2011, quando o ditador Muammar Gaddafi foi derrubado.

Rússia diz não haver provas de ataque químico

A Rússia é a única voz dissonante entre as potências militares que se manifestaram nesta segunda-feira sobre o caso sírio.

O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, declarou que os ocidentais são incapazes de fornecer provas que sustentem as alegações sobre o ataque químico supostamente realizado pelo regime sírio.

"Recorrer à violência sem a aprovação do Conselho de Segurança da ONU é uma grave violação do direito internacional", disse o ministro aos jornalistas, acrescentando que o Ocidente se dirige para "um caminho muito perigoso".

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