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Lula critica 'bisbilhotice' de Obama sobre Dilma e propõe novo organismo multilateral

Em evento sobre democracia e combate à fome, Lula criticou espionagem de Obama - Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo
Em evento sobre democracia e combate à fome, Lula criticou espionagem de Obama Imagem: Vanessa Carvalho/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo

Janaina Garcia

Do UOL, em São Paulo

11/09/2013 13h32Atualizada em 11/09/2013 18h59

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez críticas ao governo norte-americano e ao presidente Barack Obama, nesta quarta-feira (11), em São Paulo, ao se referir aos recentes casos de espionagem sobre o governo de Dilma Rousseff e a Petrobras.

"Por acaso pode o Obama ficar bisbilhotando as conversas da Dilma em nome da democracia? Cadê a decisão judicial que permitiu isso?", indagou. "Qual foi o crime que Dilma cometeu?", completou.

Lula foi um dos palestrantes no fórum "Um mundo sem fome: estratégias de superação da miséria", do qual participaram representantes de Brasil, África e América Latina --entre as quais, a ativista africana Leymah Gbowee, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2011.

"Não vamos acabar com a fome e a miséria na África se não olharmos para as capacidades locais e se as estratégias não envolverem as mulheres", sugeriu a ativista. Para ela, os governantes precisam de "coragem política e coragem moral" ao implementar programas sociais de combate à miséria.

O evento foi realizado em um hotel nos Jardins (região central de SP) e foi promovido pela revista "Carta Capital".

Documentos supostamente entregues pelo ex-analista da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden ao jornalista americano Glenn Greenwald, colunista do jornal britânico "The Guardian" e residente no Rio de Janeiro, revelam que o órgão espionou as comunicações de Dilma.

Depois que os casos de espionagem vieram à tona, Dilma deixou em aberto a possibilidade de viajar no dia 23 de outubro para os Estados Unidos, onde se encontraria com Obama.

Hoje, o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado, conversa com a conselheira de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Susan Rice, em Washington. O chanceler foi pessoalmente cobrar as explicações prometidas por Obama a Dilma sobre as denúncias de espionagem.

Além das críticas à espionagem norte-americana, Lula sugeriu que seja criada uma espécie de "governança global" na qual países de todos os continentes, tais como Brasil e México, na América Latina, e Nigéria, Egito e África do Sul, no continente africano, possam participar e tomar decisões.

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A medida, defendeu Lula, seria uma estratégia para combater o que ele considera "domínio" dos Estados Unidos e uma aparente inércia de organismos como a ONU (Organização das Nações Unidos) diante de conflitos graves entre nações.

"Que possamos colocar o Obama, a Dilma ou qualquer outro governante em igualdade de condições para a tomada de decisões. A mesma ONU que criou o Estado de Israel [em 1948]: por que não criou também um Estado palestino?", questionou, sob aplausos.

Para o petista, "o mundo não pode ser vítima da decisão de um único país". "Vai saber se não estão ouvindo também o que é dito nesta sala agora", disse, em tom de brincadeira.

Guerra e economia

As críticas de Lula ao governo dos Estados Unidos abordaram também questões relacionadas à Síria e à economia. O ex-presidente sugeriu que a autoria do uso de armas químicas em território sírio, por exemplo, ainda não foi definida. "Fiquei horrorizado com as imagens daquelas crianças atingidas. Mas quem disse quem fez aquilo?", justificou.

Para os Estados Unidos, o autor dos ataques é o governo do presidente sírio Bashar Al-Assad, o qual, por sua vez, devolve a responsabilidade pelos ataques a grupos rebeldes de oposição a ele. "Qual foro decidiu que os Estados Unidos tinham que invadir o Iraque [em 2003]? Onde estava a arma química que os iraquianos teriam usado? Até hoje eu não sei, e o governo americano gastou trilhões de dólares nesta guerra", comparou o petista.

Sobre a 'intromissão' americana na economia mundial --referência de Lula às últimas altas do dólar que vêm influenciando o mercado brasileiro--, o ex-presidente citou o ministro da Fazenda de Dilma ("coitado do Guido Mantega", disse) e novamente lembrou que "os americanos inventaram o dólar" e foram os responsáveis pela substituição do ouro pela nova moeda internacional.

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