Novos ataques violam trégua em Aleppo

Do UOL, em São Paulo

  • Karam Al-Masri/ AFP

    Sírios deixam área dominada por rebeldes em Aleppo durante avanço das forças do governo sírio

    Sírios deixam área dominada por rebeldes em Aleppo durante avanço das forças do governo sírio

O exército sírio retomou nesta quarta-feira (14) os bombardeios contra o último setor sob controle rebelde no leste de Aleppo, após uma pausa para permitir a evacuação de civis e combatentes, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). A Rússia diz que bombardeio foi uma resposta aos ataques rebeldes. A Turquia, que apoia a oposição, por sua vez, culpou as tropas do regime e seus aliados.

"Nesta manhã ocorreram 14 disparos de morteiros das tropas do regime contra o setor controlado pelos rebeldes, pela primeira vez desde a noite de terça-feira", disse Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Uma testemunha civil disse que o ataque durou cerca de meia hora e então parou. Ao menos sete civis morreram por disparos rebeldes contra dois bairros controlados pelo regime sírio em Aleppo.

Arte/UOL
Situação do controle da cidade de Aleppo em 14/12/16

Segundo a OSDH, as autoridades da Síria estão atrasando a implementação do acordo para a saída dos rebeldes que ficam na cidade de Aleppo. A ONG, citando fontes na área sob o controle das tropas do governo na cidade, disse que com esta medida, as autoridades sírias e as milícias que as apoiam querem mandar uma mensagem para Rússia de rejeição sobre um acordo feito entre Moscou e Ancara, sem consultar a Síria.

A desocupação do leste de Aleppo que teria início no começo da manhã desta quarta-feira foi adiada, talvez até quinta-feira, e uma autoridade dos rebeldes que ocupam a região culparam o Irã e milícias xiitas aliadas ao presidente sírio, Bashar Al-Assad, pelo adiamento.

Um acordo de cessar-fogo mediado pela Rússia, aliado mais poderoso de Assad, e a Turquia terminou com anos de confrontos na cidade e deu ao líder sírio a maior vitória até o momento em mais de cinco anos de guerra.

A fonte acrescentou que os apoiadores do presidente sírio, Bashar al Assad, estão inclinados para uma solução militar sem permitir a saída dos insurgentes.

O Centro Russo para a Reconciliação (CRC) na Síria, por sua vez, diz que quase 6.000 civis foram evacuados nas últimas 24 horas das zonas controladas pelos rebeldes no leste de Aleppo.

Um porta-voz do CRC disse à agência "Interfax" que trata-se de 5.992 pessoas, das quais 2.210 são crianças. "Todas elas foram amparadas em centro humanitários, onde se lhes proporcionou comida quente e atendimento médico", acrescentou.

Além disso, no mesmo período um total de 366 guerrilheiros depuseram as armas e saíram para a parte ocidental de Aleppo.

ONU: 82 civis morreram em ataques do regime em Aleppo

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, afirmou que a situação na parte oriental da cidade de Aleppo "se resolverá nos próximos dois ou três dias".

"Estou confiante de que a situação em Aleppo oriental será resolvida nos próximos dois ou três dias", disse o ministro russo em reunião com participantes da conferência científica anual "Diálogo para o bem do futuro".

Lavrov disse esperar que nesse período, os guerrilheiros localizados na parte oriental de Aleppo vão "cessar a resistência".

Imagens captadas por drone mostram a destruição em Aleppo

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