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Princesas árabes são condenadas por tratar criadas como escravas na Bélgica

11.mai.2017 - Uma das vítimas (de blusa clara) chega ao tribunal para processo contra princesas dos Emirados Árabes Unidos, em Bruxelas, Bélgica - Dirk Waem/ Belga via AFP
11.mai.2017 - Uma das vítimas (de blusa clara) chega ao tribunal para processo contra princesas dos Emirados Árabes Unidos, em Bruxelas, Bélgica Imagem: Dirk Waem/ Belga via AFP

Do UOL, em São Paulo

27/06/2017 10h17

Oito princesas dos Emirados Árabes Unidos foram condenadas por um tribunal de Bruxelas, na Bélgica, por manter em condições de semi-escravidão a 23 criadas que levaram com elas. As mulheres, membros da família que governa Abu Dhabi, sempre negaram as acusações.

A xeque Hamda Al-Nahyan e sete de suas filhas, todas pertencentes à família real nos Emirados Árabes Unidos, foram condenadas a 15 meses de prisão com possibilidade de sursis e a pagar uma multa de 165 mil euros (cerca de R$ 617 mil) cada uma, relatou a agência de notícias Belga. Apesar da pena, é improvável que elas sejam extraditadas dos Emirados Árabes Unidos. A multa também é abaixo do que a acusação pedia, de dois milhões de euros (cerca de R$ 7,5 milhões).

O juiz do caso também não aceitou a acusação mais grave de tratamento desumano e absolveu um mordomo que também foi processado.

Nenhuma das acusadas acompanhou o julgamento em Bruxelas.

Entre 2007 e 2008, as princesas empregaram - em condição de quase escravidão - 23 mulheres no Hotel Conrad, na prestigiosa avenida Louise em Bruxelas, que então mudou de nome. A família real tinha à sua disposição um andar inteiro do hotel.

Em 2008, uma das empregadas a serviço das princesas fugiu do hotel e denunciou a situação que ativistas dos direitos humanos qualificaram de "escravidão moderna". As mulheres disseram que eram obrigadas a estar disponíveis 24 horas por dia, que tinham que dormir no chão e que nunca tinham dia livre ou autorização para deixar o hotel. Além disso, eram obrigadas a comer os restos da comida das princesas.

A maioria das criadas era de origem africana, sem visto de trabalho, ou de residência e com salários miseráveis.

"Estamos muito satisfeitos, porque o tribunal constatou que era uma espécie de escravidão moderna", disse um dos advogados da acusação, Jean-Pierre Jacques. O advogado da família real, Stephen Monod, lamentou que a corte "tenha levado as declarações das vítimas ao pé da letra". O veredito foi dado na sexta-feira (23).

Apesar de nem todas as acusações terem sido provadas, a ONG belga Myria, que ajudou a levar o caso aos tribunais, considerou o veredito "um sinal claro contra a impunidade no trato aos seres humanos".

O processo, que se prolongou em grande medida devido aos recursos da defesa, incluiu denúncias de ameaças às famílias de três vítimas, duas ex-empregadas tunisianas e uma marroquina, segundo o jornal belga "Le Soir". (Com as agências internacionais e o El País)

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