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Série de ataques com bombas deixa centenas de mortos no Sri Lanka

Camila Rodrigues da Silva e Wellington Ramalhoso

Do UOL, em São Paulo

21/04/2019 06h51Atualizada em 21/04/2019 15h02

Uma série de oito ataques a bomba contra quatro hotéis, três igrejas --onde cristãos celebravam o domingo de Páscoa -- e um condomínio deixou ao menos 207 mortos e 450 feridos hoje em três cidades do Sri Lanka, na Ásia. Entre as vítimas, há cerca de 30 estrangeiros -- já foram confirmadas as mortes de três britânicos, três indianos, dois norte-americanos, dois turcos e um português.

O primeiro-ministro do Sri Lanka, Ranil Wickremesinghe, condenou os atentados e os classificou como covardes. De acordo com ele, oito suspeitos foram detidos pela polícia. Nenhum grupo reivindicou a autoria das ações até o momento.

Autoridades disseram que os ataques foram planejados e coordenados, mas não citaram o nome de nenhuma organização terrorista. O ministro de Defesa, Ruwan Wijewardene, afirmou que serão tomadas "medidas contra qualquer grupo extremista que estiver operando" no Sri Lanka.

Segundo o ministro da Integração Nacional, Mano Ganesan, oficiais foram avisados há uma semana de que atentados suicidas poderiam atingir políticos na capital Colombo. O primeiro-ministro disse, porém, que seu gabinete não recebeu estas informações e que o governo investigará por que as autoridades policiais não tomaram precauções.

Arte / UOL
Imagem: Arte / UOL

Como foram os oito ataques

As primeiras seis explosões ocorreram por volta de 8h45 no horário local (23h30 de sábado em Brasília), em três hotéis de luxo e em uma igreja católica na capital Colombo.

Outro templo católico situado na cidade de Negombo, no oeste do país, e uma igreja evangélica em Batticaloa, no leste da ilha asiática, também foram atacados perto deste horário. Nestas ações, morreram 67 e 25 pessoas, respectivamente.

Em um dos hotéis atacados, o Cinnamon Grand, um homem-bomba se fez explodir na fila de clientes que esperavam para entrar no bufê. Os outros hotéis são o Shangri-La e o Kingsbury, todos em Colombo.

A sétima explosão aconteceu no começo da tarde (fim da madrugada em Brasília) em um pequeno hotel perto do zoológico de Dehiwala, no sul de Colombo.

Logo depois, veio o oitavo atentado, desta vez em um condomínio em Dematagoda, também na capital. Este ataque também teria sido feito por um homem bomba e matou três policiais.

Toque de recolher e redes sociais bloqueadas

O governo decretou estado de emergência em todo o país, e a polícia impôs toque de recolher por tempo indeterminado diante do temor de novos ataques.

Aplicativos de mensagens como o WhatsApp e redes sociais como o Facebook foram bloqueados. "Por favor, mantenham a calma e não sejam enganados por rumores", afirmou o presidente do Sri Lanka, Maithripala Sirisena, em mensagem à nação.

"Por favor, permaneçam dentro das casas", afirmou no Twitter o ministro para Reformas Econômicas e Distribuição Pública do país, Harsha de Silva, após visitar alguns dos lugares atacados. Ele se mostrou comovido com o que viu. "Cenas horríveis. Vi membros amputados derramados por todos lados. Equipes de emergência estão espalhadas em todos os pontos. (...) Levamos muitas vítimas para o hospital, esperamos ter salvado muitas vidas", relatou.

Corpos ficaram espalhados pelo chão da Igreja de Santo Antônio, em Colombo - Ishara S. Kodikara/AFP
Corpos ficaram espalhados pelo chão da Igreja de Santo Antônio, em Colombo
Imagem: Ishara S. Kodikara/AFP

Ataques a minorias religiosas

Imagens divulgadas pela imprensa local mostram a magnitude da explosão em pelo menos uma das igrejas, com o teto do templo semidestruído, escombros e corpos espalhados enquanto o povo tenta socorrer os feridos.

Os fiéis celebravam o domingo de Páscoa, o dia mais importante dentro dos ritos cristãos da Semana Santa. O arcebispo de Colombo, Malcom Ranjit, pediu que o governo do Sri Lanka "puna sem piedade" os responsáveis pelos atentados. No Vaticano, o papa Francisco condenou os ataques.

Os ataques contra minorias religiosas na ilha vêm se repetindo. Os últimos de relevância aconteceram em 2018, quando o governo declarou estado de emergência depois de confrontos entre muçulmanos e budistas.

No Sri Lanka, um mosaico étnico e religioso, a população cristã representa 7%, enquanto os budistas são cerca de 70%; os hinduístas, 13%; e os muçulmanos, 10%.

O país viveu em guerra civil de 1983 a 2009. Pelo menos 80 mil pessoas foram mortas no período. (Com agência internacionais)

O hotel Shangri-La, em Colombo, também foi alvo dos terroristas - A.Hapuarachchi/Xinhua
O hotel Shangri-La, em Colombo, também foi alvo dos terroristas
Imagem: A.Hapuarachchi/Xinhua

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