PUBLICIDADE
Topo

Israel põe Forças em alerta e Iraque pede moderação após ataque dos EUA

Morto em atentado, Abu Mehdi Al Muhandis era o homem do Irã em Bagdá - HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP
Morto em atentado, Abu Mehdi Al Muhandis era o homem do Irã em Bagdá Imagem: HAIDAR MOHAMMED ALI/AFP

Do UOL, em São Paulo

03/01/2020 08h33Atualizada em 03/01/2020 11h46

Resumo da notícia

  • Comandante da força Quds do Irã, Qasem Soleimani, foi um dos oito mortos em ataque no aeroporto de Bagdá, no Iraque
  • Pentágono divulgou que ataque foi ordenado pelo presidente dos EUA, Donald Trump
  • Israel colocou Forças Armadas em alerta máximo, e os EUA solicitaram que americanos deixem o Iraque
  • Presidente do Iraque condena ataque e pede moderação ao Irã
  • Chanceler do Reino Unido e porta-voz do governo alemã também adotam discurso da moderação

Israel colocou as Forças Armadas em alerta máximo e o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, interrompeu uma viagem ao exterior após os Estados Unidos terem matado o comandante iraniano Qassem Soleimani, o que desencadeou promessas de vingança do Irã.

Aliado mais próximo dos EUA no Oriente Médio e principal inimigo regional do Irã, Israel não respondeu publicamente às mortes de Soleimani e do chefe da principal milícia iraquiana, Abu Mahdi al-Muhandis, em um ataque dos EUA no aeroporto de Bagdá, capital iraquiana.

No entanto, o gabinete de Netanyahu confirmou que ele encurtaria uma viagem à Grécia. A estação de rádio do Exército informou que os militares estavam sob alerta máximo e que o ministro da Defesa, Naftali Bennett, se reuniu com chefes das Forças Armadas e da inteligência para "avaliação da situação".

Membros do gabinete de segurança de Netanyahu foram instruídos a não comentar sobre os assassinatos, que a mídia israelense interpretou como uma tentativa de impedir retaliação de representantes e aliados do Irã na região.

Isso inclui o Hezbollah, movimento libanês apoiado por Teerã, e os grupos militantes palestinos Hamas e Jihad Islâmica, em Gaza.

Há muito tempo, Israel considera Soleimani uma grande ameaça. Em agosto de 2019, os militares disseram ter frustrado um ataque da Força Quds, comandada por Soleimani, envolvendo vários drones da Síria.

Israel também o acusou de liderar os esforços da Força Quds para estabelecer um programa de mísseis guiados com precisão para o Hezbollah.

"Iraque pede moderação"

Na contramão dos líderes iranianos, que falaram em vingança após o atentado, o presidente do Iraque, Barham Salih, condenou o ataque aéreo dos Estados Unidos que matou o chefe militar Abu Mahdi al-Muhandis, mas pediu moderação a todas as partes.

"O Iraque deve colocar seu interesse nacional em primeiro lugar e evitar as tragédias de um conflito armado que afeta o país ao longo de quatro décadas", disse ele em comunicado.

Outras reações

O secretário das Relações Exteriores do Reino Unido, Dominic Raab, reforçou o pedido do presidente iraquinao pedindo moderações das partes envolvidas na situação. "Sempre reconhecemos a ameaça agressiva representada pela força iraniana Quds liderada por Qasem Soleimani. Após sua morte, exortamos todas as partes a se conterem. Conflitos adicionais não são de interesse de nenhum de nós", disse ele em um comunicado por email.

Jeremy Corbyn, o líder do Partido Trabalhista, a principal sigla de oposição, também pediu moderação e fez um apelo ao Reino Unido para "confrontar as ações beligerantes e a retórica vindas dos Estados Unidos".

Em Berlim, uma porta-voz do governo alemão disse que o ataque norte-americano no Iraque que matou Soleimani foi uma reação às provocações militares da República Islâmica.

"A ação americana foi uma reação a uma série de provocações militares pelos quais o Irã é responsável", disse Ulrike Demmer durante uma entrevista à imprensa. "Também vemos com grande preocupação as atividades do Irã na região. Estamos diante de uma escalada perigosa", completou ele, acrescentando que a Alemanha trabalhará para apaziguar os ânimos.

A Itália que o ataque e a morte de Soleimani são "preocupantes". Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores de Roma pediu "moderação" e "responsabilidade" para evitar tensões no Oriente Médio.

"Os últimos eventos da situação no Iraque são muito preocupantes. A Itália lança um forte apelo para que se aja com moderação e responsabilidade, mantendo abertos os canais de diálogo e evitando atos que possam ter graves consequências na região inteira", ressaltou a nota. "Nenhum esforço deve ser economizado para garantir o fim da escalada da tensão e a estabilidade", disse o governo italiano.

Internacional