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Segurança pública

Membro do PCC detona granada em prisão da Bolívia deixando mortos e feridos

Agentes entram em prisão de Mocoví, na Bolívia, após membro do PCC ter detonado granada - Divulgação
Agentes entram em prisão de Mocoví, na Bolívia, após membro do PCC ter detonado granada Imagem: Divulgação

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

12/02/2020 12h43

Resumo da notícia

  • Brasileiro amarrou artefato em paraguaio antes de detoná-lo na noite de segunda-feira
  • Promotoria local aponta que houve disputa entre brasileiros e paraguaios por poder
  • Governo boliviano diz que PCC tem plano para expansão e estuda pedir extradições

Condenado a dez anos por tráfico de drogas na Bolívia, o brasileiro Lucas Rossendi Saraiba, apontado pela Promotoria local de integrar o PCC (Primeiro Comando da Capital), explodiu uma granada dentro da prisão de Mocoví, a 675 km da capital, La Paz. Dois presos morreram, outros 28 ficaram feridos.

De acordo com o governo boliviano, Saraiba amarrou a granada ao corpo de Mauricio Solíz Rojas, 35, condenado a 30 anos de prisão por homicídio, e explodiu o artefato na noite de segunda-feira (10). Além de Rojas, Rubén Dario Salazar, 26, também morreu. Dos 28 feridos, 10 permaneciam internados até esta publicação. Ao menos seis em estado grave, na UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

A suspeita da Promotoria é de que o fato foi um incidente local, numa disputa por poder dentro da prisão. O UOL apurou que Saraiba de fato pertence ao PCC, mas não possui cargo de liderança. A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Saraiba.

O ministro do governo boliviano, Arturo Murillo, no entanto, aponta que a ação foi articulada pelo PCC para promover caos nos centros penitenciários do país. O governo disse que estuda extraditar integrantes da facção paulista ao Brasil.

De acordo com Murillo, dois dias antes da explosão da granada, foi encontrada uma carta na prisão de El Abra, em Cochabamba, a 853 km de Mocoví, que apontava que o PCC estava tratando de mostrar seu poder no país.

O diretor do sistema penitenciário da Bolívia, José Dulfredo García, diz que o PCC quer ser protagonista no narcotráfico da América do Sul e relembrou a fuga de 75 integrantes da facção de uma prisão do Paraguai. "O PCC está tratando de se expandir em diferentes países. E está pondo isso em prática, obviamente", afirmou.

Familiares em frente a hospital a procura de informações sobre feridos em prisão - 10.fev.2020 - Xinhua/Str/Folhapress - 10.fev.2020 - Xinhua/Str/Folhapress
Familiares em frente a hospital a procura de informações sobre feridos em prisão
Imagem: 10.fev.2020 - Xinhua/Str/Folhapress

Ainda segundo García, o sistema penitenciário local está convivendo com problemas com brasileiros, integrantes do PCC. "Eles praticamente estão em todos os presídios do país. Neste momento, os mais perigosos estão no bloco C, de segurança máxima, em Cochabamba", afirmou.

Segundo a Promotoria, a granada explodida em Mocoví passou por Cochabamba antes, demonstrando falhas na segurança e, possivelmente, corrupção de agentes penitenciários. A granada teria entrado nas duas prisões em meio a comidas levadas a brasileiros durante visitas.

Após a explosão, o governo boliviano determinou o isolamento de todos os presos, brasileiros ou não, considerados como de alta periculosidade. Mocoví abriga 600 homens, o dobro de sua capacidade.

Ouça também o podcast Ficha Criminal, com as histórias dos criminosos que marcaram época no Brasil. Este e outros podcasts do UOL estão disponíveis em uol.com.br/podcasts, no Spotify, Apple Podcasts, Google Podcasts e outras plataformas de áudio.

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