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Menino de 13 anos era 'peça central' de grupo neonazista online na Estônia

Os outros membros da organização neonazista não sabiam que estavam conversando com um adolescente - Getty Images
Os outros membros da organização neonazista não sabiam que estavam conversando com um adolescente Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

13/04/2020 22h58

O jornal estoniano Eesti Ekspress publicou na última quarta-feira (8) um relatório inusitado da mais recente investigação conduzida pela polícia do país: um garoto de 13 anos estaria comandando as operações da Feuerkrieg Division, um grupo online dedicado a instaurar a supremacia branca no mundo.

De acordo com relatos da polícia estoniana à revista Time, não é possível afirmar que o menino era um líder na organização, já que a Feuerkrieg Division opera numa "estrutura descentralizada". No entanto, ele se identificava como "comandante" e era uma "peça central" no grupo até ser confrontado pela polícia.

Em suas postagens, o garoto alegava ser o fundador da organização neonazista investigada pelo FBI por planos de atacar uma sinagoga em Las Vegas e explodir um carro em um veículo da imprensa dos Estados Unidos.

Aparentemente, os outros membros da organização não sabiam que estavam conversando com um adolescente. Com base em um de seus comentários, foi possível localizar sua conta na plataforma de jogos Steam — o nome de usuário era "HeilHitler8814".

"É mais comum do que as pessoas imaginam as crianças conseguirem um senso de pertencimento em movimentos de ódio, e é muito perturbador. Mas acessar um mundo de ódio online hoje em dia é tão fácil quanto ligar a TV para assistir desenhos num sábado de manhã", comentou Oren Segal, vice-presidente do Centro de Extremismo da Liga Anti-Difamação.

Segal explica que, ao contrário do que se costuma pensar, as crianças não são apenas o público-alvo dessas organizações. Elas também ajudam a mantê-las, e são cativadas pela habilidade de influenciar movimentos internacionais do conforto de casa.

De acordo com Alar Ridamae, chefe da polícia estoniana, as famílias podem ajudar as autoridades a protegeram as crianças do extremismo online.

"Infelizmente, na prática há casos em que os próprios pais compraram livros extremistas para as crianças, o que contribui com a radicalização", afirmou em comunicado.