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EUA: Após uma semana de protestos, Trump mobiliza militares com lei de 1807

O presidente dos EUA, Donald Trump, promete invocar a Lei de Insurreição de 1807 contra protestos - Tom Brenner/Reuters
O presidente dos EUA, Donald Trump, promete invocar a Lei de Insurreição de 1807 contra protestos Imagem: Tom Brenner/Reuters

Carolina Marins

Do UOL, em São Paulo

01/06/2020 22h14

Após uma semana de protestos contra o racismo nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump fez hoje o seu primeiro pronunciamento. Do jardim da Casa Branca, próximo ao local onde manifestantes eram recebidos com gás lacrimogêneo pela polícia, Trump invocou a lei de 1807 para mobilizar "milhares e milhares" de militares.

Na segunda-feira passada, a morte de George Floyd, um homem negro, sob os joelhos de Derek Chauvin, um policial branco, em Minneapolis, despertou uma série de protestos contra o racismo nos EUA.

Trump ainda não havia falado oficialmente sobre a revolta de parte da população (fizera apenas comentários em posts nos últimos dias). Mais cedo, em conversa com governadores por videoconferência, chamou-os de "fracos" e pediu para que "dominassem" a situação.

De acordo com áudio obtido pela CNN americana, o presidente disse que os governadores "precisam dominar ou parecerão um bando de idiotas. Precisam prender e julgar pessoas. O mundo todo está rindo de Minneapolis, porque a delegacia de polícia foi queimada".

O pronunciamento de hoje foi acompanhado por manifestantes que gritavam o nome de George Floyd do lado de fora do Rose Garden. Trump até falou no início sobre a morte de Floyd, mas dedicou quase todo o discurso para criticar as manifestações. Ele se declarou o presidente da "lei e da ordem" e invocou a Lei de Insurreição, criada há 213 anos, que permite ao presidente enviar tropas ao solo americano para conter uma insurreição.

"Sou seu presidente da lei e da ordem e um aliado de todos os manifestantes pacíficos. Mas nos últimos dias, nossa nação foi dominada por anarquistas profissionais, multidões violentas, incendiários, saqueadores, criminosos, manifestantes, Antifa e outros", disse.

Vou mobilizar as forças armadas dos Estados Unidos e resolver rapidamente o problema para eles [governadores]. Também estou tomando medidas rápidas e decisivas para proteger nossa grande capital, Washington DC. O que aconteceu nesta cidade na noite passada foi uma desgraça total."
Donald Trump, presidente dos EUA

Ele se referiu ao episódio ocorrido ontem à noite, quando as luzes da Casa Branca foram apagadas enquanto manifestantes recebiam gás lacrimogêneo da polícia no escuro. Na última sexta-feira, Trump foi levado para um bunker na Casa Branca, enquanto aconteciam as manifestações.

Logo após o pronunciamento, Trump atravessou o parque Lafayette e ficou do lado de fora da igreja de São João com uma Bíblia.

Autoridades federais investigam se supremacistas brancos e anarquistas estão se infiltrando nas manifestações para causar violência. Porém, em algumas cidades, policiais se juntaram aos protestos e receberam de joelho os manifestantes.

Toque de recolher

Mais de 40 cidades decretaram toque de recolher, incluindo Nova York e a capital Washington DC, devido à escalada dos confrontos. Na capital, o toque começou às 19h (20h de Brasília), porém os manifestantes seguiam próximos ao jardim da Casa Branca.

Jornalistas foram vítimas de ataques durante os protestos. Ao longo de um período de três dias, organizações que monitoram a violência contra a imprensa documentaram mais de 20 atos de agressão.

Ao menos três pessoas já morreram, segundo autoridades de Minnesota, e os casos são investigados como homicídio. Policiais também relataram uma "emboscada" na qual agentes ficaram feridos.

Mais de 4 mil pessoas foram presas em todo o país durante os protestos do fim de semana, segundo a Associated Press, incluindo Chiara, filha do prefeito de Nova York, Bill de Blasio.

Uma autópsia independente confirmou hoje que George Floyd morreu por asfixia, contrariando o médico legista do condado de Hennepin que não encontrou "nenhum achado físico" para "apoiar o diagnóstico de asfixia traumática ou estrangulamento".

Os médicos da autópsia independente disseram que Floyd não tinha condições médicas anteriores que possam ter contribuído para sua morte, e que provavelmente estava morto antes de ser colocado em uma ambulância.

O irmão de George Floyd visitou o local onde ele morreu e que agora abriga um memorial. Segundo repórteres locais, Terrence Floyd foi recebido de joelhos pelos manifestantes e quase desmaiou ao chegar ao local. Em discurso, ele pediu para que os protestos sejam pacíficos.

O advogado da família anunciou que o velório de Floyd está previsto para ocorrer na terça-feira, dia 9, em Houston no Texas.

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