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Twitter diz que pode suspender Trump; vídeo sobre George Floyd é removido

Donald Trump usa o Twitter em seu celular em seu escritório na Trump Tower - Josh Haner/The New York Times
Donald Trump usa o Twitter em seu celular em seu escritório na Trump Tower Imagem: Josh Haner/The New York Times

Do UOL, em São Paulo*

05/06/2020 10h55

Um alto executivo do Twitter disse ontem que é possível suspender a conta do presidente norte-americano, Donald Trump, se o mesmo continuar publicando mensagens incendiárias, como as relacionadas aos protestos pelo assassinato de George Floyd. A rede social voltou a remover um conteúdo do político, desta vez um vídeo sobre o ex-segurança negro, morto por policiais brancos.

Nick Pickles, diretor de estratégia política pública do Twitter, disse em audiência parlamentar no Reino Unido que a plataforma havia tomado a decisão de submeter os tuítes de Trump ao mesmo procedimento de comprovação aplicado a todas as pessoas públicas verificadas.

Os parlamentares perguntaram a Pickles se isto significava que a conta do presidente americano poderia ser suspensa. "Todas as contas do Twitter estão submetidas às regras do Twitter", respondeu.

Com 81,7 milhões de seguidores, a @realDonaldTrump é uma das 10 contas mais populares do Twitter, mas Trump está em conflito com a rede social, da qual faz uso diariamente, já que esta tomou a decisão, no mês passado, de notificar dois de seus tuítes sobre a votação pelos correios.

O episódio seguinte foi na última sexta-feira, quando, por ocasião dos incidentes ocorridos durante os protestos pelo assassinato de George Floyd, Trump tuitou que, "quando começaram os saques, começaram os tiros". Uma mensagem anexada a este tuíte advertia que o mesmo violava "as regras do Twitter sobre glorificar a violência".

O mais recente caso do Twitter interferindo nas postagens de Trump foi com um vídeo publicado na quarta-feira (3). Nele, via-se uma colagem de fotos e vídeos por 3min45s. O presidente diz, sem aparecer nas imagens, que o caso de Floyd foi uma tragédia que nunca deveria ter acontecido, afirma que apoia protestos pacíficos, mas ataca "saqueadores", que vem sendo chamados de terroristas por Trump.

De acordo com a empresa, houve uma notificação de violação de direitos autorais, por isso o conteúdo foi removido.

O vídeo tem quase 1,5 milhão de visualizações no YouTube e no Facebook, onde permanece publicado:

Protestos e consequências

Ontem aconteceu o décimo dia de atos contra o racismo nos Estados Unidos, marcado pelas homenagens durante o funeral de George Floyd. O ex-segurança, um homem negro morto, foi morto após uma abordagem policial - um dos oficiais ficou oito minutos ajoelhado sobre o pescoço da vítima, acusada de usar uma nota de dinheiro falsa.

As manifestações de ontem nos EUA se repetiram de forma pacífica, até por volta das 22h, quando policiais de Nova York se voltaram contra os manifestantes. Imagens mostraram policiais empurrando manifestantes e profissionais da imprensa que cobriam os atos. Mais pessoas foram detidas, somando os mais de 10 mil presos contabilizados pela agência Associated Press.

O policial Derek Chauvin, filmado sobre o pescoço de Floyd está preso em um centro de segurança máxima. Os outros três policiais acusados pela morte de Floyd apareceram ontem no tribunal. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, informou que eles são acusados de homicídio, por facilitarem a ação de Chauvin.

Um juiz estabeleceu uma fiança de 1 milhão de dólares para eles, que seria reduzida para US$ 750 mil se eles concordassem com certas condições, inclusive a de abrir mão de quaisquer armas de fogo pessoais. Eles devem voltar ao tribunal em 29 de junho.

*Com informações da AFP

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