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Campanha de Trump anuncia que acionará Justiça por eleição na Pensilvânia

Donald Trump durante visita à sua sede de campanha - Saul Loeb/AFP
Donald Trump durante visita à sua sede de campanha Imagem: Saul Loeb/AFP

Do UOL, em São Paulo

04/11/2020 18h04Atualizada em 05/11/2020 13h17

A campanha do republicano Donald Trump anunciou na tarde de hoje que entrará com ação judicial contra o processo eleitoral no estado da Pensilvânia e que pretende suspender a contagem de votos. A mesma estratégia também já foi anunciada em outros estados como Michigan e Wisconsin, onde Trump pediu recontagem.

"Estamos processando para suspender temporariamente a contagem até que haja transparência significativa e os republicanos possam garantir que todas as contagens sejam feitas de acordo com a lei", disse o vice-diretor da campanha de Trump, Justin Clark, em comunicado divulgado à imprensa.

No Twitter, o presidente Trump escreveu: "Reivindicamos, para fins de votação eleitoral, a comunidade da Pensilvânia (que não permite observadores legais), o estado da Geórgia e o estado da Carolina do Norte, cada um dos quais com uma grande liderança de Trump. Além disso, reivindicamos o estado de Michigan se, de fato, houve um grande número de votos secretamente abandonados, como foi amplamente relatado", pontuou.

A rede social colocou um alerta para os seguidores dizendo que "os conteúdos compartilhados neste tuíte são contestáveis e podem ter informações incorretas".

Em texto publicado nas redes sociais, a campanha do presidente republicano acusa as autoridades eleitorais de proibirem os observadores de se aproximarem a menos de 7,6 metros da contagem. Eles também alegam que o partido Democrata do estado violou uma lei que auxilia americanos que votam pela primeira vez e não possuem todas as documentações em dia. Segundo Clark, a secretária de estado da Pensilvânia, Kathy Boockvar, mudou as regras eleitorais a poucos dias do pleito.

Até o momento, a apuração da AFP mostra liderança do democrata Joe Biden por 264 delegados contra 214 de Trump. Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as projeções são apuradas e divulgadas pela imprensa.

Como funciona o sistema eleitoral nos EUA?

No sistema eleitoral americano, os 538 votos do Colégio Eleitoral — ou 538 "delegados" — determinam quem será o presidente. Esses 538 votos são distribuídos entre os estados, de forma proporcional, considerando a população de cada um deles. Ganha quem alcançar 270 delegados.

O candidato que ganhar a eleição popular dentro do estado leva todos os votos dele no Colégio Eleitoral — com exceção do Maine e de Nebrasca, que dividem seus votos de acordo com os distritos regionais.

Trump pede recontagem em estados decisivos

A campanha de Trump anunciou mais cedo que pedirá recontagem de votos nos estados de Wisconsin e Michigan, onde Biden liderava a apuração com ligeira vantagem de votos. No primeiro, a vitória do democrata foi confirmada pela Associated Press por volta das 16h20 (horário de Brasília), por 49,4% a 48,8%. Já no segundo, o triunfo de Biden foi confirmado por volta das 18h30 —ele alcançou 50,1%.

Como a diferença entre Biden e Trump é menor que um ponto percentual no Wisconsin, o presidente pode pedir uma recontagem de votos.

Em pronunciamento na Casa Branca, na madrugada de hoje, Trump já havia questionado a contagem dos votos. Ele se autodeclarou vencedor das eleições, embora ainda não houvesse confirmação. E também disse que recorreria à Suprema Corte para interromper a contagem de votos.

"Não queremos que encontrem votos às 4 horas da manhã para acrescentar à lista", afirmou, referindo-se aos votos enviados pelo correio. A campanha de Joe Biden reagiu, afirmando que as declarações do republicano são "ultrajantes e sem precedentes".

Pela manhã, Trump voltou a levantar suspeitas de fraude — sem apresentar provas — sobre a contagem dos votos. Em mensagem publicada em uma rede social, o presidente classificou como "muito estranha" a forma como Biden tem avançado e que sua vantagem sobre o democrata começou a desaparecer "magicamente".

Pouco após a publicação, o Twitter colocou um alerta na publicação do republicando, dizendo que a mensagem contém dados "contestáveis" e que pode ter "informações incorretas".

Wisconsin e Michigan são considerados estados fundamentais na corrida presidencial.

Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as agências de notícias e veículos de comunicação como AFP, AP e Fox fazem extrapolações estatísticas e apontam os vencedores por estado. A AFP chegou a considerar definida a apuração do Arizona — e Joe Biden somava mais 11 votos até a manhã desta quinta-feira (5). A contagem de votos continua no estado.