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Internacional

Virada em Michigan reforça previsão de vitória de Biden em eleição nos EUA

Marcelo Tuvuca Freire

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/11/2020 13h01Atualizada em 05/11/2020 13h20

Com as viradas na reta final da apuração em Michigan e em Wisconsin nas eleições nos EUA, o democrata Joe Biden está mais perto de derrotar o presidente republicano Donald Trump e vencer o pleito norte-americano. Assim, há expectativa de que o resultado possa sair ainda hoje, apesar de os estados em disputa registrarem uma contagem lenta.

Biden também lidera (e as projeções na imprensa americana apontam vitória) no Arizona e Nevada. Mesmo na Geórgia, estado liderado por Trump, a análise aponta que o democrata tem chance de virar, o que decretaria a vitória dele, mesmo perdendo na Pensilvânia, o estado com mais delegados ainda em jogo.

Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as agências de notícias e veículos de comunicação como AFP, AP e Fox fazem extrapolações estatísticas e apontam os vencedores por estado. A AFP chegou a considerar definida a apuração do Arizona — e Joe Biden somava mais 11 votos até a manhã desta quinta-feira (5). A contagem de votos continua no estado.

Com a disputa acirrada em cinco estados, Biden precisaria vencer em três e, Trump, em quatro. A campanha do republicano anunciou hoje que pedirá recontagem de votos nos estados de Wisconsin e Michigan. Como a diferença entre Biden e Trump é menor que um ponto percentual, o presidente pode pedir uma recontagem de votos.

Essa análise do cenário considera o tipo de votos que ainda não foram contabilizados nesses estados. Em resumo, a maior parte dos votos ainda não apurados são de grandes centros urbanos, assim como os votos antecipados enviados por correio, mais favoráveis a Biden.

No sistema eleitoral americano, os 538 votos do Colégio Eleitoral — ou 538 "delegados" — determinam quem será o presidente. Esses 538 votos são distribuídos entre os estados, de forma proporcional, considerando a população de cada um deles. Ganha quem alcançar 270 delegados.

O candidato que ganhar a eleição popular dentro do estado leva todos os votos dele no Colégio Eleitoral — com exceção do Maine e de Nebrasca, que dividem seus votos de acordo com os distritos regionais.

Previsão de vitória democrata

Até as 13h de hoje, Biden tinha 238 delegados garantidos no Colégio Eleitoral, segundo o placar de apuração agência de notícias AFP — ele precisa de 270, no total, para ser eleito. Trump tem 213.

Biden está apenas 0,2 ponto percentual à frente em Michigan (16 delegados no Colégio Eleitoral) com 90% da apuração terminada. Mas essa vantagem tende a aumentar, segundo a CNN e outros veículos da imprensa americana, tendo em vista que boa parte desses votos virá do condado de Wayne, na região de Detroit, onde Biden está com 67% contra 31% de Trump.

Wisconsin (10 delegados), por sua vez, já registra 97% dos votos apurados, com uma vantagem de 0,6 ponto percentual para Biden sobre Trump — cerca de 20 mil votos de diferença. A disputa é apertada, mas a tendência, segundo o jornal Washington Post, é que o democrata continue na dianteira.

Outro estado que ainda pode registrar uma onda a favor de Biden, segundo a imprensa americana, é a Geórgia (16 delegados). Com 92% dos votos apurados, Trump tem 2,2 pontos percentuais de vantagem, mas os votos que restam na região de Atlanta, favorável aos democratas, podem virar o jogo a favor de Biden.

Por último, a Pensilvânia (20 delegados) se mostra mais indefinida. O republicano está dez pontos à frente com 77% dos votos contabilizados. Mas há uma grande quantidade de votos antecipados enviados por correio — em tese, mais favorável aos democratas — que ainda não foram contabilizados.

Para ser eleito somente com dois desses estados, Biden precisa garantir também o Nevada (6 delegados). Com 86% dos votos apurados, o democrata está na frente por uma margem de 0,6 ponto, mas a CNN alerta que boa parte dos votos restantes virão do condado de Clark, em Las Vegas, uma região consideravelmente democrata.

Outro caminho para a vitória de Biden pode ser na Carolina do Norte (15 delegados), onde Trump está com uma vantagem de 1,4 ponto com 95% dos votos apurados. Novamente, o democrata pode virar, considerando que ainda restam votos a serem apurados nas regiões das cidades de Raleigh e Charlotte, favoráveis a Biden. O resultado, no entanto, ainda é considerado indefinido.

Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as projeções da imprensa são relevantes na divulgação da conquista dos delegados.

O resultado só poderá ser confirmado quando os estados forem confirmados para cada candidato. E, se a margem for apertada, as campanhas podem pedir recontagem, o que alongaria o cenário de indefinição.

Virada no Arizona é chave para eleição de Biden

As chances de Biden aumentaram com sua provável vitória no Arizona, que soma 11 delegados no Colégio Eleitoral. Segundo projeções da AFP e da Fox News, a vitória democrata está confirmada nesse estado que Trump ganhou em 2016. A CNN e o The New York Times, no entanto, ainda o consideram em disputa.

Com 86% dos votos contabilizados, o Arizona registra vantagem de 3,4% a favor de Biden. Se confirmada, será a primeira vitória democrata no Arizona desde 1996, quando Bill Clinton superou Bob Dole. Com exceção do pleito que reelegeu Clinton, os republicanos haviam vencido todas as eleições presidenciais no Arizona desde 1952.

Essa virada, que já era uma aposta dos democratas em virtude das mudanças demográficas no estado, ampliou os caminhos de Biden para a vitória no Colégio Eleitoral. Junto com o 2º distrito Nebraska — que soma um delegado e que também foi "virado" por Biden em relação a 2016 —, o Arizona permite que o democrata seja eleito mesmo perdendo na Pensilvânia, na Geórgia e na Carolina do Norte, desde que ele garanta a vitória em Michigan, Wisconsin e Nevada.

Trump, por sua vez, conseguiu confirmar a vitória em estados considerados apertados que ele havia vencido em 2016, como Flórida, Ohio, Texas e Iowa, evitando a possibilidade de uma vitória de "lavada" de Biden, como algumas projeções chegaram a indicar.

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