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Eleições Americanas

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5 meses

Sem provas, advogado e aliado de Trump acusa fraude em cédulas

Rudolph Giuliani - Philippe-Olivier Contant/Xinhua
Rudolph Giuliani Imagem: Philippe-Olivier Contant/Xinhua

Do UOL, em São Paulo

04/11/2020 19h20

Advogado do presidente Donald Trump e ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani denunciou supostas fraudes em cédulas de votação no processo eleitoral americano, mesmo sem apresentar provas, durante entrevista realizada na noite de hoje, na Pensilvânia. Giuliani prometeu ainda entrar com o processo federal.

"Em Wisconsin, misteriosamente, às 3 da manhã, às 4 da manhã, chegaram milhares de cédulas. A gente não tem ideia se são cédulas, se estão assinadas pela mesma pessoa, e elas foram contadas. Elas podem ser facilmente fraudadas. Eu fui informado por um ex-deputado, que viu situações parecidas no Arizona, e em Detroit, no Michigan. Então, isso nunca aconteceu antes no nosso país", protestou Giuliani.

"E assim, milhares de votos que foram considerados. Como assim? E o que isso me diz é que é um esforço concentrado do Partido Democrata em cidades grandes. E essa questão partidária leva à corrupção. E eles não vão roubar essa eleição", prosseguiu.

"Essa eleição vai ser decidida pelo povo. Essa elite não se importa com o povo. Vamos entrar com o processo federal e vão fazer isso nacionalmente para expôr essa corrupção democrata. Isso vai além de tudo o que eu já tenha visto. Nós vamos fazer com que o direito do povo, mostrar que o Trump ganhou na Pensilvânia. Eles acham que a gente é burro, que é a gente é louco. Nós vamos ganhar essa eleição. Vamos contar os votos de maneira justa. Isso é criminoso", concluiu.

No Twitter, o presidente Trump escreveu: "Reivindicamos, para fins de votação eleitoral, a comunidade da Pensilvânia (que não permite observadores legais), o estado da Geórgia e o estado da Carolina do Norte, cada um dos quais com uma grande liderança de Trump. Além disso, reivindicamos o estado de Michigan se, de fato, houve um grande número de votos secretamente abandonados, como foi amplamente relatado", pontuou.

A rede social colocou um alerta para os seguidores dizendo que "os conteúdos compartilhados neste tuíte são contestáveis e podem ter informações incorretas".

A campanha do republicano também disse que mostrará um vídeo em que mostra barricada policial próximo ao local de onde era feita a contagem dos votos, proibindo a aproximação das pessoas.

Segundo apuração da CNN e confirmada pela agência AFP, Biden venceu a votação o estado de Michigan, o que o coloca com 253 votos do Colégio Eleitoral, restando apenas 17 delegados para chegar a 270 votos dos delegados necessários para ser eleito.

Trump soma 214 votos no Colégio Eleitoral, mas lidera na apuração de Geórgia (16 votos), Carolina do Norte (15 votos) e Pensilvânia (20 votos). Caso vença, o republicano somaria 265 pontos, insuficiente para ganhar as eleições.

Recontagem em Wisconsin e Michigan

A campanha do presidente Donald Trump, que busca a reeleição nos Estados Unidos, anunciou mais cedo que pedirá recontagem de votos nos estados de Wisconsin e Michigan, onde Joe Biden lidera a apuração com ligeira vantagem de votos. No primeiro, a vitória do democrata foi confirmada pela Associated Press por volta das 16h20 (horário de Brasília), por 49,4% a 48,8%. Já no segundo, os índices eram de 49,5% e 48%, respectivamente, no mesmo horário.

Como a diferença entre Biden e Trump é menor que um ponto percentual, o presidente pode pedir uma recontagem de votos.

Biden também lidera (e as projeções na imprensa americana apontam vitória) no Arizona e Nevada. Mesmo na Geórgia, estado em que Trump aparece em primeiro lugar, a análise aponta que o democrata tem chance de virar, o que decretaria a vitória dele, mesmo perdendo na Pensilvânia, o estado com mais delegados ainda em jogo.

Há relatos de irregularidades em vários locais do Wisconsin, que alimentam dúvidas sobre a veracidade dos resultados. O presidente está dentro do limite para solicitar uma recontagem, e assim o fará imediatamente."

Comunicado da campanha de Donald Trump

Wisconsin e Michigan são considerados estados fundamentais na corrida presidencial. Uma possível vitória no segundo daria a Joe Biden mais 16 pontos na apuração, que não soma votos brutos, mas sim delegados eleitorais de cada região. Até as 16h20 de hoje, a contagem indicava 237 a 214 para Biden.

Os dois estados integram a lista dos últimos sete estados que ainda não acabaram a apuração, junto com Nevada — outro local em que Biden lidera — e Alasca, Pensilvânia, Geórgia e Carolina do Norte — esses quatro com vantagem provisória de Trump.

Autoproclamou sua vitória

Durante a madrugada, Donald Trump reclamou dos votos pelo correio, autoproclamou a sua vitória e disse que iria recorrer à Suprema Corte para interromper a apuração.

Naquele momento, com a eleição definida em cerca de 40 estados, o resultado parecia incerto — mas já era previsto que os estados restantes e os votos pelos correios seriam mais favoráveis ao democrata Joe Biden.

Depois da fala de Trump, Biden conseguiu duas viradas e queda na diferença entre os votos na Pensilvânia.

No sistema eleitoral americano, os 538 votos do Colégio Eleitoral — ou 538 "delegados" — determinam quem será o presidente. Esses 538 votos são distribuídos entre os estados, de forma proporcional, considerando a população de cada um deles. Ganha quem alcançar 270 delegados. O candidato que ganhar a eleição popular dentro do estado leva todos os votos dele no Colégio Eleitoral — com exceção do Maine e de Nebrasca, que dividem seus votos de acordo com os distritos regionais.

Os Estados Unidos não têm um órgão oficial que divulga, em tempo real, os resultados das urnas, como o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) no Brasil. Por isso, as agências de notícias e veículos de comunicação como AFP, AP e Fox fazem extrapolações estatísticas e apontam os vencedores por estado. A AFP chegou a considerar definida a apuração do Arizona — e Joe Biden somava mais 11 votos até a manhã desta quinta-feira (5). A contagem de votos continua no estado.

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