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Países encerram mais cedo missões em Cabul e multidões tentam sair do país

22.ago.2021 - Afegãos fazem fila antes de embarcar no avião militar italiano C130J, durante a evacuação no aeroporto de Cabul, no Afeganistão. - Ministério da Defesa Italiano/Folheto via REUTERS
22.ago.2021 - Afegãos fazem fila antes de embarcar no avião militar italiano C130J, durante a evacuação no aeroporto de Cabul, no Afeganistão. Imagem: Ministério da Defesa Italiano/Folheto via REUTERS

Colaboração para o UOL

27/08/2021 09h21Atualizada em 27/08/2021 11h48

Depois do atentado de ontem no aeroporto da capital afegã Cabul, reivindicado pelo grupo extremista Estado Islâmico, alguns países estão com ainda mais pressa de encerrar as operações e têm antecipado a retirada da nação do Oriente Médio. O atentado deixou ao menos 108 mortos e mais de 160 feridos, segundo a Associated Press.

A população local tenta de diferentes maneiras deixar o país e o clima de desespero paira em muitas cidades. Além do aeroporto de Cabul, muitos afegãos tentam chegar a nações vizinhas por via terrestre. Na fronteira com o Paquistão, vídeos mostram uma multidão de refugiados.

O Talibã, que agora comanda a nação afegã, estipulou que os estrangeiros devem remover suas tropas e sair até, no máximo, dia 31 de agosto. Se não, o grupo prometeu "consequências".

O Reino Unido, que já tirou cerca de 14 mil cidadãos do Afeganistão, se antecipou para deixar o país e deve encerrar as missões em "poucas horas", segundo o secretário de Defesa, Ben Wallace.

A Itália é uma das que prevê fazer os últimos resgates hoje e, de manhã, recebeu um avião em Roma com mais de 100 refugiados afegãos.

Desde meados de agosto quando o Talibã ascendeu ao poder, os esforços militares italianos removeram mais de 5 mil pessoas de Cabul. O primeiro-ministro Mario Draghi chamou os ataques de ontem de "covardes" e contra "pessoas inocentes buscando liberdade".

A Alemanha encerrou ontem à noite as operações e admitiu ter deixado aproximadamente 300 alemães para trás, como confirmou um porta-voz de Relações Exteriores. Berlim identificou 10 mil afegãos que precisam de proteção e concedeu a eles entrada na Alemanha.

A Suécia é outro país que concluiu os voos saindo de Cabul. O Ministério de Relações Exteriores disse que mais de mil pessoas foram resgatadas por eles. "Todos os funcionários da embaixada e suas famílias foram evacuados", concluiu o comunicado.

Ontem, antes do atentado, a Holanda tinha anunciado o encerramento de suas operações no Afeganistão. O governo disse ser doloroso, porque sabia que pessoas ficariam para trás.

"A Holanda foi informada hoje pelos Estados Unidos de que deve partir e, com toda probabilidade, fará os últimos voos hoje (quinta-feira)", afirmaram os ministros das Relações Exteriores e da Defesa, Sigrid Kaag e Ank Bijleveld, respectivamente, em carta ao Parlamento.

Estados Unidos

Já os Estados Unidos, que tentaram negociar por mais tempo em solo afegão, devem continuar as operações até o dia 31. A Casa Branca não anunciou nenhuma movimentação para encerrar antes os resgates. Segundo a instituição, 105 mil cidadãos norte-americanos já foram evacuados do Afeganistão.

O presidente Joe Biden se pronunciou ontem sobre os ataques no aeroporto de Cabul, que deixaram, pelo menos, 108 mortos e 160 feridos. Entre os falecidos, estão 13 militares norte-americanos.

Para aqueles que realizaram este ataque, assim como para qualquer um que deseje mal à América, saibam: Não perdoaremos. Nós não esqueceremos. Vamos caçá-lo e fazê-los pagar. Defenderei nossos interesses com todas as medidas que estiverem ao meu alcance."
Joe Biden

Canadá diz que ficou no país o máximo que pôde

O chefe da Defesa do Canadá, General Wayne Eyreem, declarou que o país gostaria de poder ter ficado mais tempo no Afeganistão para resgatar a todos. "Nós ficamos no Afeganistão o máximo que pudemos", disse Eyreem.

"O fato de não termos podido é verdadeiramente doloroso, mas as circunstâncias no terreno se deterioraram rapidamente", esclareceu o chefe de Defesa.

O país facilitou a retirada de aproximadamente 3.700 cidadãos canadenses e afegãos desde o avanço do Talibã na região.

Eyre disse ainda que a missão de retirada de civis é perigosa e enfrentou ameaças "significativas e dinâmicas". "Durante a operação, recebemos notícias de vários ataques iminentes", disse Eyre.

Situação "deteriorada" faz Bélgica recuar

Em entrevista coletiva, o primeiro-ministro belga, Alexandrer de Croo, disse ontem que o cenário no Afeganistão se deteriorou de forma significativa e, por esse motivo, o país decidiu encerrar as operações de retirada.

"A situação se deteriorou significativamente, recebemos informações de fontes americanas e de outros países de que havia um ataque suicida iminente na área do aeroporto", disse Croo. Os últimos belgas foram retirados na noite de ontem do Afeganistão.

A Dinamarca também retirou mais de 1.000 pessoas de Cabul. Desde 15 de agosto, o grupo composto por intérpretes, cidadãos dinamarqueses, pessoas de outros países europeus e funcionários da embaixada dinamarquesa deixou o país.

Já o ministro da Defesa da Hungria, Tibor Benko, informou hoje que o país encerrou as evacuações no Afeganistão após transportar 540 pessoas.

Talibã x Estado Islâmico

Sob o nome de EI-K (Estado Islâmico Khorasan), o grupo extremista reivindicou alguns dos ataques mais violentos executados no Afeganistão nos últimos anos, que deixaram dezenas de mortos, especialmente entre os muçulmanos xiitas.

Embora os dois grupos sejam sunitas radicais, EI e o Talibã são inimigos e expressam um ódio visceral mútuo.

Quando Estados Unidos e os talibãs assinaram em 2020 um acordo para estabelecer as diretrizes da retirada das tropas estrangeiras, o EI os acusou de abandonar a causa jihadista.

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