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Austríaco morre de covid após se infectar de propósito para evitar vacina

"Festas da covid" são estratégia para fugir de vacina, segundo autoridades italianas - Reprodução
'Festas da covid' são estratégia para fugir de vacina, segundo autoridades italianas Imagem: Reprodução

Do UOL, em São Paulo

26/11/2021 20h56Atualizada em 27/11/2021 09h31

Um homem de 55 anos morreu na Áustria após ir a uma "festa da covid" na cidade de Bolzano, no norte da Itália, com a intenção de ser infectado com o coronavírus.

Segundo o jornal italiano Il Dolomiti, ele queria obter o chamado "passe verde", cobrado por vários dos países na Europa, em que, para ter o direito de trabalhar ou acessar áreas de lazer, os moradores devem ter um certificado de vacinação completa ou provarem que se recuperaram da covid-19 nos últimos seis meses.

O médico Patrick Franzoni, coordenador da unidade anti-covid de Bolzano, explica que as "festas da covid" são cada vez mais comuns na região dos Alpes, que inclui Áustria, França, Alemanha, Itália, Liechtenstein, Mônaco, Eslovênia e Suíça.

Ele detalhou ao Il Dolomiti que, nestes eventos, pelo menos um dos convidados já testou positivo para a covid e que os outros presentes, sabendo quem esta pessoa é, se aproximam dela para compartilhar drinques ou abraços.

Até mesmo crianças seriam levadas pelos pais para as festas, com informações de pelo menos uma hospitalizada, informou o jornal italiano.

"Nós recebemos mais de um relato vindo de médicos que trataram pacientes que admitiram ter sido infectados de propósito", reforçou Franzoni. "Eles fazem isso para desenvolver anticorpos e obter o 'passe verde' sem vacinação. Existem consequências a longo prazo e até mesmo pessoas jovens podem parar no hospital", alertou o profissional após a morte do austríaco, que não teve a identidade divulgada.

A procuradoria de Bolzano abriu investigação para apurar as "festas da covid".

Vacina será obrigatória na Áustria

A morte do austríaco foi registrada na semana passada, dias antes de o governo do país anunciar que a vacina contra a covid-19 será obrigatória a partir de fevereiro de 2022. Com a regra, quem se recusar a receber o imunizante terá de pagar multas de 3.600 euros, o equivalente a R$ 22,5 mil pela cotação atual.

A ministra da Constituição da Áustria, Karoline Edtstadler, afirmou que, além da multa, haverá também cobrança de 1.500 euros (R$ 9.000) pela recusa em receber a dose de reforço do imunizante.

Após o anúncio do governo, atos contra a obrigatoriedade da vacina começaram a ser realizados no país, liderados pelo ultraconservador Partido da Liberdade. No sábado (20), uma manifestação em Viena contou com a presença de cerca de 40.000 pessoas. Uma greve nacional começou hoje.

A medida torna a Áustria o primeiro país da Europa Ocidental a tornar obrigatória a vacinação contra o vírus causador da covid-19. No momento, a nação tem uma das menores taxas de imunização da região: cerca de 66% da população elegível, e tem enfrentado alta no número de casos da doença.

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