PUBLICIDADE
Topo

Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


3ª Guerra Mundial? O que as maiores autoridades já falaram e qual o risco

Presidente russo, Vladimir Putin, está no centro das atenções em meio à guerra com a Ucrânia - Yuri Kochetkov/Reuters
Presidente russo, Vladimir Putin, está no centro das atenções em meio à guerra com a Ucrânia Imagem: Yuri Kochetkov/Reuters

Gabriel Dias

Colaboração para o UOL

23/03/2022 04h00

Com o início do conflito entre Rússia e Ucrânia, o temor de acontecer uma Terceira Guerra Mundial se tornou cada vez mais real. Passado quase um mês do confronto, o clima entre os dois países segue tenso e sem uma perspectiva de resolução.

Nervos exaltados e capacidade destrutiva se somam ao esgotamento da diplomacia e às sanções econômicas à Rússia.

Segundo alguns analistas, o principal motivo que poderia desencadear uma guerra mundial neste momento seria a imposição de uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia em meio à invasão e ao bombardeio aéreo da Rússia em suas cidades.

A ação é insistentemente solicitada pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, mas até o momento negada pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e pelos demais aliados ocidentais.

Outro fator de risco para o início do conflito mundial seria os russos acertarem alvos em países membros da Otan, o que não daria outra alternativa à organização a não ser reagir aos ataques.

Mas o que os principais envolvidos no conflito entre Ucrânia e Rússia dizem sobre a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial?

Rússia

Presidente russo Vladimir Putin no estádio de Luzhniki, em Moscou, na comemoração do 8º aniversário da anexação da Crimeia - MIKHAIL KLIMENTYEV/AFP - MIKHAIL KLIMENTYEV/AFP
Presidente russo Vladimir Putin no estádio de Luzhniki, em Moscou, na comemoração do 8º aniversário da anexação da Crimeia
Imagem: MIKHAIL KLIMENTYEV/AFP

Logo que a Rússia iniciou a invasão à Ucrânia, o presidente russo, Vladimir Putin, falou que "quem interferir levará a consequências nunca experimentadas na história''. Três dias depois, o país colocou suas forças dissuasivas nucleares em estado de alerta.

O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, se pronunciou sobre o assunto dizendo que uma terceira guerra mundial teria a presença de armas nucleares e seria destrutiva. Ele também cobrou a retirada de armas nucleares dos Estados Unidos em território europeu e afirmou que a Ucrânia tem tecnologias soviéticas da época da Guerra Fria.

Lavrov disse que o país não pode deixar que a Ucrânia tenha armas nucleares. "A Rússia não permitirá que a Ucrânia adquira arsenais nucleares", concluiu.

Ucrânia

19.03.22 - Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, divulgou um vídeo neste sábado (19) em que pede conversas de paz com a Rússia - Handout / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP - Handout / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky: "Talvez a Terceira Guerra já tenha começado"
Imagem: Handout / UKRAINIAN PRESIDENTIAL PRESS SERVICE / AFP

No dia 16 de março, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que talvez o mundo já esteja vivenciando uma Terceira Guerra Mundial.

"Talvez a Terceira Guerra já tenha começado. Nós vimos isso há 80 anos, quando a Segunda [Guerra] começou. Ninguém seria capaz de prever quando o conflito ganharia proporções mundiais e como iria acabar", analisou.

Em entrevista ao jornal alemão Die Zeite, Zelensky havia chamado a ameaça nuclear de "blefe" de Putin. "Uma coisa é ser um assassino. Outra é cometer suicídio", disse o presidente ucraniano.

Neste domingo (20), Zelensky voltou a comentar sobre o assunto afirmando que o fracasso na negociação com a Rússia significará que o conflito atual resultará em "uma 3ª Guerra Mundial". No entanto, o líder ucraniano disse estar pronto para dialogar com o presidente russo, Vladimir Putin.

Estados Unidos

O presidente dos EUA, Joe Biden, fala sobre fundos para ajudar a Ucrânia, em Washington, DC, em 16 de março de 2022 - Nicholas Kamm/AFP - Nicholas Kamm/AFP
Joe Biden admite que um confronto direto entre Otan e Rússia resultaria em uma Terceira Guerra Mundial
Imagem: Nicholas Kamm/AFP

No dia 11 de março, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que um confronto direto entre Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e Rússia resultaria na Terceira Guerra Mundial.

"Nós defenderemos cada centímetro do território da Otan com todo o poder de uma Otan unida e galvanizada. Mas nós não entraremos numa guerra contra a Rússia na Ucrânia. Um confronto direto entre a Otan e a Rússia é a Terceira Guerra Mundial. E algo que devemos nos esforçar para evitar", declarou o presidente norte-americano.

Biden reforçou que os EUA "não vão lutar a Terceira Guerra Mundial na Ucrânia".

A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, também reforçou o discurso do presidente norte-americano dizendo que a guerra mundial não vai acontecer porque os Estados Unidos não querem. "Não temos interesse em uma Terceira Guerra", afirmou.

Organização das Nações Unidas

Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante entrevista coletiva em Nova York - Andrew Kelly/Reuters - Andrew Kelly/Reuters
O secretário-geral da ONU, António Guterres, está preocupado com a escalada do conflito a nível global
Imagem: Andrew Kelly/Reuters

Na última semana, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, disse estar preocupado com a possibilidade da guerra na Ucrânia desencadear um embate global.

"A perspectiva do conflito nuclear, antes impensável, está agora no campo das possibilidades", comentou o secretário-geral.

Guterres também considera que o confronto que segue se agravando entre os dois países não terá vencedores e nem perdedores.

"A cada hora que passa, duas coisas ficam cada vez mais claras: primeiro, que a situação continua piorando. Em segundo lugar, qualquer que seja o resultado, esta guerra não terá vencedores, apenas perdedores".

União Europeia

Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, em Bruxelas - Stephanie Leqocq - 10.mar.2020/Reuters - Stephanie Leqocq - 10.mar.2020/Reuters
O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, defende a diplomacia para evitar uma Terceira Guerra Mundial
Imagem: Stephanie Leqocq - 10.mar.2020/Reuters

O presidente do Conselho Europeu - instituição responsável pela agenda política e as prioridades da União Europeia -, Charles Michel, defendeu a utilização da diplomacia e das sanções para evitar uma possível Terceira Guerra Mundial.

"A Ucrânia não é um membro da Otan. Por isso, precisamos ser muito cautelosos. Precisamos fazer tudo que está a nosso alcance, mas temos que considerar que a Rússia detém armas nucleares e é muito importante que nós evitemos um terceiro conflito internacional", comentou.

Ele considera que impor uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia seria "um passo longe demais" com um "risco real de escalada e de uma possível terceira guerra internacional".