Conteúdo publicado há 3 meses

Advogada: Caso de preso na Turquia é 'mais difícil' que o da Alemanha

Provar a inocência do brasileiro preso em Istambul, na Turquia, após suas malas saírem do Brasil carregadas com cocaína em nome dele e da esposa será "bem mais difícil" do que no caso das brasileiras Jeanne Paollini e Kátyna Baía, detidas por 38 dias na Alemanha. A avaliação é da advogada Luna Provázio que defendeu as brasileiras e agora assumiu o caso de Ahmed Hasan.

Hasan será julgado em 30 de novembro em Istambul. A pena pode variar de 20 a 30 anos. A acusação também envolve a esposa dele, Malak, que está na Líbia.

A quadrilha, no caso do casal líbio, retirou a etiqueta do carrinho do bebê deles e só utilizou essa etiqueta para colocar na mala com cocaína quatro dias depois do voo. Isso dificultou a questão da produção da prova de inocência do casal, porque quando eles partiram do Aeroporto de Guarulhos para Istambul, as malas chegaram corretamente e seguiram viagem para o país em que eles estavam morando, que é a Líbia.

Eles não sentiram falta de nenhuma mala, não tiveram noção de que estariam sendo vítimas desse tipo de crime. Só meses depois, quando Ahmed precisou retornar para a Turquia, prenderam ele.

Quando ele tomou conhecimento sete meses após o fato ter acontecido, quando a polícia da Turquia foi informar a Polícia Federal do Brasil, as imagens do aeroporto já não estavam mais armazenadas, pois ficam [guardadas] em um período de 30 a 90 dias.

Ela afirmou que a defesa se apoia no histórico do casal.

Infelizmente, o fato de não ter os vídeos do dia do embarque, que comprovam que eles despacharam, que eles conduziram tudo ali no momento do despache da bagagem sem nenhum fato criminoso, de fato, prejudica.

Nossa defesa e a produção de provas é, basicamente, eles não terem o perfil de criminosos: eles estavam viajando em família, eles compraram a passagem com antecedência, não têm antecedentes criminais, as bagagens que eles despacharam chegaram corretamente no destino e eles não reclamaram no Aeroporto de Istambul sobre a falta de bagagem. Teve a análise do perfil deles, que não corresponde às pessoas que cometem, normalmente, esse tipo de crime.

Além disso, a Polícia Federal conseguiu, junto com a polícia da Turquia, identificar que, de fato, a etiqueta tinha sido retirada.

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Por ser 43 kg de cocaína, as provas para absolver o casal teriam de ser "robustas", explica a advogada.

"É um caso bem mais difícil em relação ao das meninas da Alemanha"

Outro fator que impõe muita cautela na Turquia e também foi relevante na Alemanha, é que os juízes desses dois países falam: 'Não se trata de 5 ou 10 kg de cocaína, são 43 kg de cocaína' [...] Então eles consideram o fato de ser 43 kg de cocaína, um montante de tráfico internacional de drogas muito grande.

Para eles absolverem o investigado, a prova teria que ser muito robusta. Sem as imagens, isso dificulta.

O que aconteceu

Ahmed Hasan, 37, viajou com a esposa, Malak, e o filho para a Turquia em outubro de 2022 e, de lá, foram para a Líbia. "Nós pegamos toda a nossa bagagem, nossos passaportes foram carimbados e entramos normalmente. Nada aconteceu", contou Hasan, em entrevista ao Fantástico, da TV Globo.

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Em maio deste ano, Hasan decidiu ir sozinho à Turquia e, ao chegar no país, foi preso por tráfico de drogas. Hasan afirmou ter ficado em "choque" após descobrir o motivo da prisão, relatado por uma advogada turca. "Ela disse que eu estava sendo acusado por tráfico internacional de drogas. Foi um choque enorme."

As malas com a droga saíram de Guarulhos para a Turquia em 26 de outubro de 2022, dias depois de Hasan ter embarcado, segundo o delegado Felipe Lavareda, da Polícia Federal. "Alguém retirou essa etiqueta, mas, em vez de usar no próprio dia, guardou para usar alguns dias depois no voo onde foi a droga efetivamente".

Os investigadores da Polícia Federal suspeitam da movimentação de um ônibus de transporte de passageiros, já que um veículo sai do aeroporto e só retorna à noite. Uma gravação divulgada pela TV Globo mostra que, às 21h40, esse ônibus vai para um galpão acompanhado de outro veículo, em um local onde não há câmeras de segurança.

Uma carretinha que leva cargas para os aviões e que teria levado a cocaína do ônibus para o avião passa em direção ao galpão logo em seguida. Segundo a polícia, é o mesmo carro que aparece ao lado do avião da Turkish Airlines, que a família de Ahmed pegou em outubro do ano passado.

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