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Ministra alemã sobre Lula: 'Holocausto não pode ser comparado a nada'

A ministra das Relações Exteriores da Alemanha, Annalena Baerbock, está no Rio de Janeiro e comentou as declarações do presidente Lula (PT), que comparou a morte de palestinos em Gaza com o genocídio de judeus na Alemanha nazista.

O que aconteceu

"O Holocausto não pode ser comparado a nada", diz ministra. Em entrevista à GloboNews e ao jornal O Globo, Baerbock afirmou que seis milhões de judeus foram mortos na Alemanha e em toda a Europa "por fascistas que deliberadamente queriam acabar com a vida humana, a vida judaica".

Apesar de criticar comparação, ministra faz ponderação. Baerbock apontou que os conflitos são percebidos de formas diferentes de acordo com a proximidade que as pessoas podem ter ou não com aquela realidade e as pessoas que sofrem com isso. Ela também destacou que a empatia com israelenses e palestinos, que sofrem com o conflito, é algo importante para que aconteça uma ação pela paz.

"Somos seres humanos, não há sangue cristão, não há sangue judeu, não há sangue muçulmano, há apenas sangue humano, como enfatizou um sobrevivente do Holocausto de 102 anos há poucos dias na Alemanha", afirmou a ministra, que está no Brasil para reuniões do G20.

Ministra relembra que visitou região do conflito por sete vezes. Baerbock destacou que têm coisas que somente é possível entender caso você tenha conversado com quem está vivenciando a situação. "Só combateremos esse terrorismo juntos se fizermos tudo o que pudermos para garantir que essas crianças possam voltar a crescer em segurança em suas próprias casas".

Baerbock reforça posicionamento alemão sobre o Estado israelense. Para ela e o governo, Israel tem o "direito de existir inegociável", mas destacou a importância de garantir a segurança dos civis.

O Hamas deve libertar os reféns e, ao mesmo tempo, a ajuda humanitária deve poder finalmente entrar em Gaza em sua totalidade. Precisamos não apenas de um cessar-fogo, mas também de um sistema de dois Estados: Israel só poderá viver em segurança se os palestinos viverem em segurança em seu próprio Estado, mas os palestinos só poderão viver em segurança se todos na região aceitarem.
Annalena Baerbock, ministra da Alemanha

Fala sobre Holocausto

Lula deu declaração sobre Israel após comentar outra fala anunciando doações para a agência de refugiados palestinos da ONU. A primeira declaração, sobre as doações, também gerou polêmica e fez com que o partido Novo abrisse uma queixa-crime contra o presidente na PGR (Procuradoria-Geral da República). As falas do atual chefe do Executivo ocorreram na Etiópia no último domingo (18).

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O que está acontecendo na Faixa de Gaza, com o povo palestino, não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu quando Hitler decidiu matar os judeus.
Presidente Lula em declaração na Etiópia

Oposição quer impeachment de Lula

Parlamentares oposicionistas ao governo coletam assinaturas contra o presidente. Para os deputados, declaração polêmica foi crime de responsabilidade. O grupo classificou a fala como "ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade".

Governo de Israel repudiou a fala e declarou presidente brasileiro "persona non grata". Segundo o governo israelense, esse status será mantido até que Lula peça desculpas.

Lula não deve se desculpar por fala

Internamente, o Planalto avalia que a fala de Lula não estava errada, mas que o discurso pode, sim, ser confundido com um ataque ao povo judeu. O Planalto insiste que as críticas aos ataques israelenses devem continuar: o plano, agora, é deixar a separação dos posicionamentos entre as ações do Estado e a sua população mais clara.

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