Menos de 1 mês após megalimpeza, lixo volta a se acumular no rio Tietê

Eduardo Schiavoni

Do UOL, em Americana (SP)

Menos de um mês depois de finalizar uma operação que retirou mais de 18 toneladas de lixo de áreas do leito seco do rio Tietê, o município de Salto (a 101 km da capital paulista) começa a ver as áreas serem novamente tomadas por entulho. A maioria do material é de pedaços de madeira.

A prefeitura da cidade não descarta novas intervenções nos locais, mas cobra apoio tanto do governo estadual quanto de cidades da Grande São Paulo, por onde o rio passa antes de chegar a Salto.

Segundo o secretário de Meio Ambiente do município, João De Conti Neto, a sujeira está voltando pela correnteza, principalmente perto da Ilha dos Amores.

Ele explica que as chuvas da última semana e a abertura de uma comporta na cidade fizeram com que o rio subisse, deixando lixo em parte dos locais que antes estavam limpos. "O entulho foi levado para as áreas secas e, como o rio desceu, voltou a ficar aparente. Claro que a quantidade é bem menor, mas isso mostra que o problema continua. Se não houver mudanças, estamos enxugando gelo. A chuva está trazendo tudo de volta para o rio que acabamos de limpar", disse.

"Não conseguimos fazer tudo sozinhos. É um rio estadual que, infelizmente, carrega entulhos e resíduos que não são nossos. E o problema vem parar aqui", afirma Conti Neto. "Já entramos em contato com o governo estadual e pedimos ajuda para realizar a limpeza e para fiscalizar o descarte irregular de lixo nas outras cidades. É um problema que precisa da ajuda de todos."

O UOL procurou a Secretaria de Meio Ambiente e questionou sobre o pedido de auxílio de Salto e se há disposição do governo estadual em colaborar com a remoção. Até o fechamento da reportagem, não tinha havido resposta.

Limpeza

Conti Neto informou que a terceira etapa de limpeza, que aconteceria durante esta semana, foi suspensa por conta da abertura da comporta e da variação do rio. "Na próxima semana, a situação deve ser normalizada e iremos começar a retirar o lixo de outras partes do rio", disse. "Fizemos de uma forma que não tem impacto no nosso orçamento. Mas, se virar permanente, teremos de rever o financiamento da operação."

Ele disse que já fez cotação de um equipamento norte-americano para ser instalado na barragem do rio que impedirá que pedaços de madeira circulem no curso de água. "Assim, poderemos fazer retiradas programadas", disse.

O trabalho de remoção começou em 18 de julho, quando uma equipe retirou o material que estava nas pedras que ficam ao lado da Ilha dos Amores, um dos pontos turísticos do Complexo da Cachoeira, em Salto.

Nesse local, em cinco dias de trabalho, foram retiradas 6,6 toneladas de lixo de uma área de um quilômetro em uma das margens do rio Tietê. Para fazer a remoção do material, funcionários da prefeitura usaram uma corda tirolesa e técnicas de rapel para chegar até o lixo.

Na segunda etapa, no trecho da Ponte Pênsil, Ilha dos Amores e Ilha da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), que fica próximo ao Complexo Turístico da Cachoeira, foram removidas outras 11,4 toneladas de lixo.

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