Apesar de Trump, EUA continuarão ações contra aquecimento, diz diplomata

Em Washington

  • Kevin Lamarque/Reuters

O presidente Donald Trump deixou claro nesta terça-feira (28) que o combate à mudança climática não é uma de suas prioridades, mas não se manifestou sobre o Acordo de Paris sobre o clima, firmado em 2015 por 190 países, incluindo Estados Unidos.

Todd Stern, emissário americano para o clima entre 2009 e 2016 e que esteve na primeira linha das negociações internacionais, considera que uma saída deste emblemático acordo teria um impacto profundamente negativo na imagem dos Estados Unidos. Ele diz, contudo, que Estados, cidades e iniciativas na economia  continuaão desenvolvendo energias limpas.

PERGUNTA - Qual seria o impacto de uma saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris?

RESPOSTA - Acredito que, claramente, mancharia a imagem dos Estados Unidos, seria visto de forma extremamente negativa em todo o mundo e teria efeitos colaterais além do clima.

Podemos ver o exemplo de 2001, quando o presidente George W. Bush se retirou do acordo de Kyoto. O fato de logo após chegar ao poder anunciar que os Estados Unidos não participariam prejudicou muito o país na área diplomática.

Apesar de a administração Trump querer fazer da mudança climática uma questão menos importante, as pessoas em todo o mundo pensam que é importante.

Tendo em conta o discurso da administração Trump, não seria lógico, em certo sentido, a saída dos Estados Unidos do acordo?

Há um debate no governo entre os que dizem 'vamos manter o que Trump disse durante a campanha e abandonar o acordo' e os que, como (o secretário de Estado) Rex Tillerson defendem guardar um lugar na mesa de negociações.

Mas além da postura puramente ideológica, não há qualquer razão - do ponto de vista lógico - para sair, não há um verdadeiro interesse em fazê-lo.

Espero que falem com os dirigentes das empresas. Se o fizerem, serão aconselhados a manter o acordo. A maioria sabe que é preciso ficar, porque quando se raciocina a partir dos fatos em um mundo de fatos, sabe-se que a mudança climática é real.

Se os Estados Unidos se distanciarem de seus objetivos em matéria de emissões de gases do efeito estufa seria coerente permanecer no acordo?

Me oponho totalmente ao decreto firmado (nesta terça-feira) por esta administração, mas não estou de acordo com a ideia de que faríamos melhor abandonando o Acordo de Paris. Segue sendo importante que os Estados Unidos façam parte dele.

O que vai mudar (na luta contra a mudança climática) são os estímulos do governo federal - que são verdadeiramente importantes - mas nada vai parar de um dia para o outro.

Muitos Estados têm determinação no que fazem, do mesmo modo que muitas cidades, e ocorrem muitas coisas na economia real que favorecem o desenvolvimento e a difusão de energias limpas a um ritmo que ninguém imaginou.

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