China ganha respeito de ecologistas apesar de poluir mais

Jessica Shankleman *

Da Bloomberg

  • Efe

A política cria casais estranhos, mas poucos tão insólitos como o laço crescente entre a China e os ambientalistas que buscam conter a mudança do clima.

O país que mais gera poluição e está construindo dúzias de usinas elétricas a carvão também é elogiado por nomes como o Greenpeace e a WWF pelas iniciativas para combater o aquecimento global e se afastar dos combustíveis fósseis.

"A qualidade do ar mata a competitividade, mata pessoas - isso é um grande fator de impulso para a China", disse Rachel Kyte, representante especial das Nações Unidas e diretora do programa Sustainable Energy For All. "Será importante ver como isso chega até os dirigentes além da maneira em que eles estão dirigindo tudo."

No governo do presidente Xi Jinping, a China, que costumava sabotar acordos sobre aquecimento global, trabalha no consenso sobre como conter o gás de efeito estufa depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu envolver menos seu país. As ambições da China para o clima sairão à tona nesta semana, quando Trump chegar a Pequim em 8 de novembro para se reunir com Xi, e no outro lado do mundo, quando enviados de quase 200 países começarem nesta segunda-feira uma reunião em Bonn para as negociações pelo clima da ONU.

Elogios, críticas

Por enquanto, grupos ecologistas elogiam como Xi aborda o clima e Trump. Em parte é por necessidade: As práticas de confrontar e protestar usadas por eles no Ocidente não funcionariam com a China. Além disso, os grupos continuam criticando a China e sugerem há tempos formas de o país limpar sua indústria.

Contudo, as palavras dos ecologistas indicam que querem Xi como aliado - e escudo contra Trump. Shuo Li, assessor sênior de política global do Greenpeace East Asia, disse que a China vem sendo eficaz em driblar Trump na questão do clima com "uma abordagem branda, sem confronto direto". Na WWF, Lou Leonard disse que a única opção do país é reduzir sua carga para o meio ambiente.

"Eles serão vistos como uma força pró-ativa construtiva ou como grande parte do problema", disse Leonard, vice-presidente sênior do grupo para clima e energia. "Eles são o maior emissor anual do mundo agora."

A China ultrapassou os EUA como maior emissor de dióxido de carbono em 2006 e hoje é responsável por 27 por cento da poluição global, segundo a BP. Os EUA e a Europa estão desativando suas usinas mais poluentes, ao passo que a China instalará 26 por cento da nova geração com carvão até 2040, segundo dados da Agência Internacional de Energia.

"É fácil para os ativistas ecologistas apontarem para a quantia gasta pela China na energia renovável ou para o fato deles participarem em Paris", disse Nicolas Loris, gerente de pesquisa sobre energia e meio ambiente da Heritage Foundation, um think tank conservador em Washington. "Eu não sei se será evitado o aquecimento com essas ações da China. Eles continuam se sustentando com usinas elétricas convencionais e construindo-as."

* Com a colaboração de Feifei Shen. 

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