Arroz, trigo e inhame selvagens correm risco de extinção

Do UOL, em São Paulo

  • Farshad Usyan/ AFP

A nova versão da lista vermelha de espécies ameaçadas de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) indica que espécies selvagens de arroz, trigo e inhame estão em risco de desaparecerem devido ao uso de agrotóxicos na agricultura, ao desmatamento e à expansão urbana.

As espécies selvagens são aquelas que não passaram por melhorias industriais para a produção de alimentos em larga escala. Essas sementes melhoradas, que podem ser híbridas (fruto de cruzamentos) ou transgênicas, levam a uma maior homogeneização dos materiais cultivados. Já as sementes utilizadas na agricultura tradicional possuem maior variedade.

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A análise do risco de extinção de espécies alimentícias selvagens, muitas delas avaliadas pela IUCN pela primeira vez, traz alerta para o risco de perda de biodiversidade e variabilidade de alimentos, o que coloca em risco a segurança alimentar global.

"Ecossistemas ricos em espécies são fundamentais para a nossa capacidade de alimentar a população crescente do mundo e acabar com a fome até 2030", disse o diretor-geral da IUCN, Inger Andersen, citando um dos objetivos do desenvolvimento sustentável da ONU (Organização das Nações Unidas).

Ao todo, três espécies de arroz selvagem, duas espécies de trigo selvagem e 17 espécies de inhame silvestre estão ameaçadas de extinção. O desmatamento, a expansão urbana e a pressão ambiental provocada pelo uso de pesticidas e pelo pisoteio de pastagens são as principais ameaças para essas espécies. A IUCN avaliou 26 espécies de trigo selvagem, 25 espécies de arroz e 44 de inhame.

Arte/UOL

De acordo com a ONG, estudos recentes mostram que quase três quartos (72%) das sementes selvagens não são adequadamente preservadas em bancos de genes. Já a conservação em lavouras continua sendo desafiadora devido às ameaças apontadas. O cultivo de espécies selvagens possui grande contribuição econômica, gerando cerca de US$ 115 bilhões (R$ 370 bilhões) por ano para a economia global, diz o relatório da IUCN. A ONG destaca ainda o potencial de expansão econômica relacionado ao uso de sementes tradicionais.

Segundo a ONG, o cruzamento de sementes convencionais, utilizadas na agricultura de grande porte, com espécies silvestres, que possuem grande diversidade, pode levar a melhorias nas lavouras, com o desenvolvimento de culturas resistentes à seca, doenças e pragas. "A diversidade genética das sementes selvagens pode adaptar [a agricultura] às mudanças climáticas", disse Andersen.

"Avaliar espécies selvagens na lista vermelha nos fornece informações detalhadas sobre as ameaças que enfrentam. Agora podemos agir sistematicamente para conservar essas espécies, reduzindo práticas agrícolas excessivamente intensivas, como o pisoteio do uso indiscriminado de herbicidas", disse Nigel Maxted, especialista em recursos selvagens da IUCN.

Getty Images
Kiwi (Apteryx mantelli)

Golfinho ameaçado e passarinho recuperado

De acordo com o novo relatório da IUCN, a pesca sem manejo sustentável causou declínio acentuado na população de golfinhos-de-Irrawaddy e do boto-do-Índico, espécies encontradas em mares da Ásia.

A atualização da lista vermelha também revela que a seca provocada por mudanças climáticas está empurrando um marsupial da Austrália, o Pseudocheirus occidentalis, para a extinção na natureza. E três espécies de répteis encontradas apenas em uma ilha australiana foram extintas, provavelmente pela ação de predadores e de doenças, existindo agora apenas em cativeiro.

A boa notícia da lista é a recuperação da população da pequena ave kiwi, típica da Nova Zelândia, que deixou de ser considerada em perigo de extinção, passando a ser considerada agora uma espécie vulnerável, melhorando uma colocação na escala de ameaça de extinção. Existem duas espécies de kiwi, o okarito (Apteryx rowi) e o castanho do norte (Apteryx mantelli), ambas na mesma situação. 
 

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