Ambiente

Esgoto levado pela chuva afeta condições de banho nas praias catarinenses

Aline Torres

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

  • Eduardo Valente/ Framephoto/ Estadão Conteúdo

    29.jan.2018 - Banhistas aproveitam tarde de sol na praia da Joaquina, em Florianópolis, Santa Catarina

    29.jan.2018 - Banhistas aproveitam tarde de sol na praia da Joaquina, em Florianópolis, Santa Catarina

O litoral catarinense é um dos principais roteiros turísticos do Brasil, mas a exuberância de suas praias corre riscos. Os temporais torrenciais deste verão estão provocando um alto índice de poluição. O último Mapa de Balneabilidade da Fatma (Fundação do Meio Ambiente), divulgado na sexta-feira (26), mostra que muitas praias catarinenses estão impróprias para banho.

Foram analisadas amostras em 215 pontos ao longo de 25 cidades da costa: 56,3% estão contaminadas pela bactéria Escherichia coli, encontrada em fezes.

Em Florianópolis o índice é ainda pior: 64% dos pontos analisados estão poluídos. De acordo com a resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente, se houver mais de 800 coliformes fecais em 100 milímetros de água -- o que equivale a meio copo americano --, o local está infectado.

No trapiche de Canasvieiras, uma das praias mais movimentadas da ilha, a Fatma encontrou 11 mil coliformes fecais nesta quantidade de água do mar.

Conforme Oscar Vasques Filho, gerente de Análise da Qualidade Ambiental da Fatma, este é o relatório mais grave desde que o órgão começou a publicar os percentuais de estudo em 2013.

Um das explicações para o aumento da poluição são as fortes chuvas. Filho, porém, disse que elas apenas desmascaram o problema existente.

DIORGENES PANDINI/Agência RBS/ESTADÃO CONTEÚDO
11.jan.2018 - Moradores circulam de barco por ruas alagadas de Florianópolis

"A culpa não é da chuva. A chuva apenas conduz o material contaminado ao mar. O problema são as ligações clandestinas de esgoto nas galerias pluviais e nos rios e riachos".

Em Florianópolis, apenas 54,72% do esgoto é tratado. Em um texto que avaliou as condições sanitárias da cidade, o instituto Trata Brasil afirmou que Florianópolis, "uma das cidades litorâneas mais badaladas do país tem pouco mais da metade da população atendida por rede de esgoto, o que indica que há muito a ser feito para ampliar o acesso ao serviço".

O superintendente Municipal de Saneamento, Lucas Arruda disse que a Prefeitura irá fazer um grande investimento na rede de esgoto. A estimativa de gasto é R$ 400 milhões.

Florianópolis tem 485 mil moradores, segundo o IBGE 2017, e recebe em torno de 1,5 milhão de turistas na temporada. Conforme o Ministério do Turismo, é o segundo principal destino dos turistas brasileiros no verão.

Na capital catarinense há 42 praias oficiais. Os principais focos de poluição estão nas mais habitadas, como o Norte da Ilha, onde ficam Canasvieiras, Ingleses e Jurerê.

No Mapa da Fatma há praias onde há pontos contaminados (assinalados com bandeiras vermelhas) e pontos próprios (bandeiras azuis). Filho disse que os pontos azuis estão provavelmente longe de acessos onde são extravasados esgotos ilegais. E que as bactérias dos pontos vermelhos não tem capacidade para migrar massivamente até eles.

Reprodução

Alguns pontos de poluição em Florianópolis

Canasvieiras

Ingleses

Cachoeira do Bom Jesus

Jurerê Tradicional e Internacional

Ponta das Canas

Lagoa da Conceição


 

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