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Para Observatório do Clima, discurso de Bolsonaro não combina com realidade

Presidente Jair Bolsonaro discursa durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça - Fabrice COFFRINI / AFP
Presidente Jair Bolsonaro discursa durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça Imagem: Fabrice COFFRINI / AFP

Gustavo Maia

Do UOL, em Brasília

22/01/2019 17h53

Rede de ONGs (organizações não governamentais) que atuam no combate à mudança climática, o Observatório do Clima apontou em nota que o discurso do presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Fórum Econômico Mundial, nesta terça-feira (22), "infelizmente, não combina com a realidade dos primeiros 21 dias" da sua administração.

"O governo federal tem agido de forma concreta para subjugar a agenda ambiental ao agronegócio e desmantelar a governança climática. Os resultados podem ser vistos no chão: o desmatamento na Amazônia está em alta e uma onda de invasões de terras indígenas está em curso", diz o texto, assinado pelo secretário-executivo da entidade, Carlos Rittl.

O posicionamento tem o mesmo tom da manifestação da ex-ministra do Meio Ambiente e ex-senadora Marina Silva (Rede), candidata nas últimas três eleições presidenciais.

"Só esqueceu de mencionar que os avanços na área ambiental são resultado de ações opostas às que seu governo tem implementado", escreveu Marina no Twitter, depois de citar duas frases de Bolsonaro durante o pronunciamento feito em Davos, na Suíça --"somos o país que mais preserva o meio ambiente" e "os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco".

A ex-ministra ainda usou a rede social para compartilhar uma análise do jornal "Valor Econômico" intitulada "Discurso de Bolsonaro surpreende por superficialidade".

A nota do Observatório do Clima, por sua vez, diz que o presidente "merece cumprimentos" por ter "destacado a necessidade de harmonia entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental".

Apesar de ter se posicionado diversas vezes contra ambientalistas durante a campanha eleitoral, Bolsonaro aproveitou a fala no evento que reúne a elite econômica do mundo para enfatizar a defesa do meio ambiente. Após o discurso, o presidente respondeu a perguntas feitas pelo fundador do fórum, Klaus Schwab.

Questionado sobre as intenções do governo brasileiro para promover a sustentabilidade, o mandatário disse que o país estará sintonizado com o mundo na busca da preservação do meio ambiente e ressaltou que o desenvolvimento tem de ser sustentável.

"O meio ambiente tem que estar casado com o desenvolvimento, nem para um lado, nem para outro. Nós temos o agronegócio, que é de conhecimento de todos, então a parte da agricultura ocupa menos de 9% do território nacional. A pecuária, aproximadamente 25%. Hoje, 30% do Brasil são florestas. Então, nós damos, sim, exemplo para o mundo", declarou.

"O que pudermos aperfeiçoar, nós o faremos. E nós pretendemos estar sintonizados com o mundo na busca da diminuição de CO2 e na preservação do meio ambiente", concluiu.

A nota da rede de ONGs apontou que esta foi a primeira vez que o presidente mencionou luta contra a mudança climática "de forma positiva, sem senões ou condicionantes".

"O presidente precisa agir rapidamente para corrigir o rumo se suas palavras em Davos foram sinceras. Do contrário, a comunidade internacional e os brasileiros mais vulneráveis ficarão com declarações vazias, e a economia brasileira verá mercados se fecharem e investidores irem embora", conclui o texto.

Durante o pronunciamento, que durou cerca de seis minutos, Bolsonaro disse que o Brasil é a nação que mais preserva o meio ambiente e que nenhum outro país do mundo tem tantas florestas.

"Nossa missão agora é avançar na compatibilização entre a preservação do meio ambiente e da biodiversidade com o necessário desenvolvimento econômico, lembrando que são interdependentes e indissociáveis. Os setores que nos criticam têm, na verdade, muito o que aprender conosco", afirmou o presidente. 

Na última quinta-feira (17), o perfil do Observatório no Twitter informou, com ironia, que foi bloqueado pela do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. 

A reportagem confirmou com a entidade que a página continua indisponível nesta terça. O ministro foi procurado por telefone e pro mensagens de WhatsApp para se manifestar, mas não respondeu até o momento.

Meio ambiente tem que estar casado com desenvolvimento

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