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Meio Ambiente

Mundo desperdiçou 931 milhões de toneladas de alimentos em 2019, indica ONU

04/03/2021 16h43

Nairóbi, 4 mar (EFE).- Consumidores, mercados e restaurantes, entre outros, desperdiçaram 931 milhões de toneladas de alimentos em 2019, cerca de 17% do total de comida consumível no mundo, segundo um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e da organização associada WRAP.

Os alimentos desperdiçados equivalem em peso a 23 milhões de caminhões de 40 toneladas completamente descarregados e suficientes para dar a volta à Terra sete vezes, detalha o estudo divulgado nesta quinta-feira, que busca unir esforços para reduzir o desperdício pela metade até 2030, de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela ONU.

"Se queremos levar a sério o combate à mudança climática, à perda da natureza e da biodiversidade, à poluição e ao desperdício, as empresas, os governos e os cidadãos de todo o mundo devem fazer a sua parte para reduzir o desperdício de alimentps", disse a diretora executiva do PNUMA, Inger Andersen.

O chamado "Relatório do índice de desperdício de alimentos 2021" aponta para o forte impacto ambiental, social e econômico desta prática nos 54 países analisados, e estima que entre 8% e 10% das emissões globais de gases do efeito estufa estão associadas a alimentos que não são consumidos.

O estudo também revela que a quantidade de resíduos comestíveis "per capita" é muito semelhante em todos os lares, independentemente da renda, sugerindo que este é um "problema global" que afeta tanto os países desenvolvidos como os países em desenvolvimento.

Essa informação difere das narrativas anteriores que atribuíam a má utilização dos alimentos aos consumidores dos países mais avançados e atribuíam os resíduos alimentares às deficiências de produção, armazenamento e transporte nos países em desenvolvimento.

Globalmente, 121 quilos de alimentos são desperdiçados per capita por ano, de acordo com o estudo, mas 74 destes são provenientes de lares, onde 11% de todos os alimentos disponíveis são descartados.

Com 690 milhões de pessoas afetadas pela fome em 2019 - número que deverá aumentar drasticamente com a covid-19 - e 3 bilhões de pessoas incapazes de pagar por uma dieta saudável, os consumidores "precisam de ajuda para reduzir o desperdício de alimentos em casa", enfatiza o relatório.

A Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU, convocada para setembro pelo secretário-geral da entidade, António Guterres, analisa possíveis opções de sensibilização, mudança de comportamento e estratégias para dar aos alimentos uma "vida circular sustentável" e evitar que acabem desperdiçados.

"Há muitas intervenções eficazes demonstradas em uma vasta gama de países, com reduções de até 30% nos resíduos alimentares domésticos", disse à Agência Efe Clementine O'Connor, especialista do PNUMA.

Um desperdício menor "reduziria as emissões de gases do efeito estufa, abrandaria a destruição da natureza através da degradação e poluição da terra e, ao tornar os alimentos mais acessíveis, reduziria a fome e pouparia dinheiro em um momento de recessão global", resumiu Andersen.

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