Deputada que elogiou marido prefeito no impeachment amplia bens em 564%

Carlos Eduardo Cherem

Colaboração para o UOL, em Belo Horizonte

  • Nilson Bastian - 20.abr.2016/Câmara dos Deputados

    A deputada federal Raquel Muniz durante discurso pelo impeachment, em 2016

    A deputada federal Raquel Muniz durante discurso pelo impeachment, em 2016

Candidatos à reeleição, os deputados federais mineiros Marcelo Aro (PHS), 31, Raquel Muniz (PSD), 55, e Patrus Ananias (PT), 66, multiplicaram seus bens em até dez vezes entre as eleições de 2014 e o pleito deste ano.

Considerando a inflação do período, os bens declarados por Marcelo Aro à Justiça Eleitoral tiveram um incremento de 890%, pulando de R$ 105 mil (R$ 134 mil em valores atualizados) há quatro anos para mais de R$ 1,3 milhão.

Os bens de Raquel Muniz, por sua vez, tiveram uma ampliação de 564%, passando de R$ 717 mil (R$ 917 mil nos valores de hoje) para R$ 6,1 milhões no mesmo período. Já o patrimônio declarado de Patrus Ananias passou de R$ 236 mil (R$ 302 mil hoje) para R$ 1,5 milhão. Um salto de 385%.

Reprodução - 4.abr.2016/Facebook
O deputado federal Marcelo Aro
Diretor de Relações Institucionais da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Aro está em seu primeiro mandato como deputado federal por Minas Gerais. Jornalista, ele foi vereador por dois anos em Belo Horizonte.

Em 2014, Aro declarou à Justiça Eleitoral três bens: dinheiro em espécie (R$ 25 mil), um veículo (R$ 71 mil) e participação em empresa (R$ 9.000), num total de R$ 105 mil (R$ 134 mil em valores atualizados). Este ano, o deputado declarou possuir dinheiro em espécie (R$ 19,8 mil) e seis depósitos bancários em conta corrente, num patrimônio total de R$ 1.327.283,77.

Célebre após o voto pela admissão do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na Câmara dos Deputados, em abril de 2016, Raquel Muniz é médica geriatra e está em seu primeiro mandato como deputada federal. No voto do impeachment, a deputada ficou famosa ao elogiar o marido, o ex-prefeito de Montes Claros (MG), Ruy Muniz (PSB), que foi preso menos de 24 horas depois. Muniz acabou destituído do cargo de prefeito e impedido pela Justiça Eleitoral de candidatar-se à reeleição em 2016.

O patrimônio da deputada nesses quatro anos cresceu, sobretudo, por meio de participação em empresa (R$ 4,4 milhões) e de três créditos decorrentes de empréstimos (R$ 1,4 milhão). Com isso, os seus bens passaram de R$ 717 mil (R$ 916 mil) para R$ 6.092.391,53 em quatro anos, alta 565%.

Alan Marques - 27.jun.2016/Folhapress
O deputado federal e ex-ministro Patrus Ananias
Professor universitário e ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias cumpre o segundo mandato como deputado federal. O petista foi ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Foi também responsável pela pasta de Desenvolvimento Agrário, no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Cinco depósitos bancários (R$ 996 mil), dois investimentos (R$ 504 mil), duas poupanças (R$ 80 mil); um terreno (R$ 89,7 mil), e um plano de capitalização (R$ 153 mil) sustentaram o aumento de patrimônio declarado de Patrus Ananias, entre 2014 e 2018, que agora é de R$ 1.463.708,44.

Outro lado

A assessoria da deputada Raquel Muniz informou por meio de nota que a "evolução [de patrimônio] se deu em função de atualização contábil do capital das empresas de grupo educacional do qual a deputada é uma das sócias". "Não houve aquisição relevante no período entre 2014 e 2018."

A assessoria de Patrus Ananias disse que o aumento de patrimônio do deputado é "aparente", por ter sido unificado ao patrimônio de sua mulher este ano, o que não havia ocorrido na declaração feita há quatro anos.

"O aparente aumento patrimonial decorre do fato de que na declaração de 2018 foi unificado o patrimônio do deputado com o da sua esposa, enquanto em 2014 foi apresentado somente o patrimônio individual do deputado", informou a assessoria. Assim, afirma a nota, "a mudança de metodologia, por parte do PT, ocasionou a duplicação irreal dos bens imóveis".

"O aumento da parte financeira deve-se ao fato de o deputado ter se aposentado. Em decorrência, foram incorporados os valores rescisórios de duas aposentadorias: de funcionário efetivo da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e a de professor da PUC-MG, quando também recebeu o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço)", informa a assessoria.

De acordo com a assessoria, além disso, houve a venda de imóvel, do qual o deputado possuía um terço.

O UOL entrou em contato com a assessoria do deputado Marcelo Aro por diversas vezes na quinta (23) e na sexta-feira (24), mas não teve retorno até a publicação desta reportagem.

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