No JN, Marina se compara a Itamar e diz que fará um governo de "transição"

Do UOL, em São Paulo

Em entrevista ao Jornal Nacional nesta quinta-feira (30), a candidata à Presidência da República Marina Silva (Rede) se comparou ao ex-presidente Itamar Franco, que assumiu o posto logo após o impeachment de Fernando Collor de Mello, e afirmou que, caso venha a ser eleita, fará um governo de "transição".

"Liderar não é ter todo mundo debaixo do mesmo guarda-chuva", afirmou a presidenciável. "Ele [Franco] não tinha uma base e conseguiu juntar pessoas de diferentes partidos, governar e fazer um período de transição. Eu vou fazer um governo de transição", disse, prometendo que fará o país "crescer".

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Questionada pelo jornalista William Bonner sobre a saída de parlamentares de seu partido e a existência de divergências dentro da sigla --que foi criada por ela em 2015--, Marina disse ver o processo de saída das pessoas como "natural" à democracia.

"As pessoas que saíram da Rede são pessoas com quem eu continuo mantendo relação de respeito. E, mesmo elas estando distantes, tenho absoluta certeza que concordam comigo", afirmou. Marina ainda disse que os parlamentares da Rede que votaram contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em 2016 --diferentemente, portanto, da posição de Marina-- já haviam anunciado, ao ingressar na sigla, que manteriam esse posicionamento.

"Sete saíram do partido no ano seguinte ao ano em que a senhora conseguiu criá-lo. Chama atenção porque era um partido muito novo", replicou Bonner, que complementou: "Com relação ao impeachment, o que se deu foi que a senhora apoiou, embora o partido já tivesse dito que não havia motivo para apoiar o processo. Mas na hora de votar os integrantes se dividiram. Isso não pode dar aos eleitores impressão de que falta à líder do partido e, agora, candidata à Presidência, liderança?".

Marina, então, afirmou que "ser líder não é ser o dono do partido", e que essa figura deve ser "capaz de dialogar com os diferentes". Ela voltou a dizer que os parlamentares que deixaram a Rede continuam tendo uma "relação de respeito" com o partido e que vão apoiá-la caso ela vença o pleito de outubro.

"Hoje no Brasil há o conceito de que o partido tem um dono. Isso é uma visão completamente inadequada de política", disse, afirmando que na Rede as decisões são tomadas de forma mais "autoral" e "compartilhada".

Reprodução/TV Globo
Candidata à Presidência Marina Silva (REDE-AC) participa de entrevista no Jornal Nacional

Rede, coligações e apoio a Aécio

Cerca de 22 minutos dos pouco mais de 27 disponíveis para a entrevista da candidata no programa foram dedicados a perguntas e respostas sobre o processo de formação da Rede. Foram também exploradas as relações de Marina na eleição de 2014 com Aécio Neves (PSDB-MG) e Eduardo Campos (PSB-PE), hoje investigados, e as alianças do seu partido nos estados para o pleito deste ano.

Apesar de não especificar quais, a candidata afirmou que desenvolveu mecanismos para não se aliar a corruptos e disse que irá adotá-los para formar sua equipe em um eventual governo. "Estou muito bem calçada depois da Lava Jato", declarou.

Perguntada sobre alianças da Rede em nível estadual com partidos criticados pela própria Marina, como o PT, PSDB e siglas do centrão --bloco formado por DEM, PP, PR, PRB, PSDB, PTB e Solidariedade--, a candidata negou que suas críticas fossem "oportunistas".

"No plano nacional não estamos coligados com nenhum desses partidos", disse. Em outro momento, a candidata afirmou que é preciso "olhar para a trajetória das pessoas" e que "pessoas boas existem em todos os partidos", discurso que ela alegou fazer desde 2010.

"É engraçado que as pessoas cobram, em uma hora: 'mas a senhora não tem aliança'. Quando eu faço aliança com aqueles que sobraram dessa miscelânea, as pessoas me atiram no rosto", afirmou.

Previdência é "tema complexo"

Perguntada sobre propostas para a Previdência, Marina afirmou que defende uma reforma no sistema e que é necessário promover um debate sobre as idades mínimas para a aposentadoria.

Confrontada pela jornalista Renata Vasconcellos se suas respostas não permaneciam "vagas", a candidata respondeu: "É importante a gente dizer que vai debater a idade mínima. Mas tem gente que se incomoda com a ideia de debater, porque a gente se acostumou com pacotes".

"É um problema muito complexo. Não se pode achar que algo que mexe tanto com a vida das pessoas pode ser feito a toque de caixa", disse, criticando a forma como, segundo ela, o governo Michel Temer (MDB) propôs a reforma, "discutindo apenas com um lado".

Ao fim da entrevista, Marina utilizou seu minuto para considerações finais para se apresentar como "mulher, negra, mãe de quatro filhos". "Fui seringueira, me alfabetizei aos 17 anos. Sei que muita gente acha que pessoas com a minha origem não têm capacidade para ser presidente. Estou aqui trazendo mais que um discurso, trago uma trajetória", disse, assumindo que terá o "compromisso de um país que seja justo para todos".

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