No JN, Haddad trava embate com Bonner sobre corrupção e PT

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

Em entrevista ao Jornal Nacional nesta sexta-feira (14), o candidato à Presidência da República Fernando Haddad (PT) protagonizou intensos embates com o jornalista William Bonner ao falar sobre acusações de corrupção em gestões do seu partido.

Mais de uma vez, o presidenciável reclamou de ser interrompido e fez uso de ironia em respostas, devolvendo acusações à Rede Globo. Ao longo de toda a entrevista, que durou pouco mais de 27 minutos, não houve nenhuma pergunta específica sobre o plano de governo petista.

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Questionado por Bonner sobre o entendimento de procuradores do Ministério Público --que dizem ter visto uma atuação sistêmica do PT para o desvio de dinheiro público, e não atos isolados de membros do partido--, Haddad se incomodou com a citação à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) na lista de nomes que o apresentador citou como envolvidos na Operação Lava Jato.

"Você citou a Dilma. Ela não é ré em nenhuma ação", contestou Haddad. "Ela é investigada, candidato", devolveu Bonner.

"Estamos em um momento em que muitas pessoas que são investigadas são também absolvidas", disse Haddad, que pouco depois acrescentou: "Vocês não tratariam os problemas da Rede Globo como vocês tratam os problemas do PT".

"Os problemas da República dizem respeito a milhões de brasileiros", interveio Bonner novamente, ao que Haddad rebateu dizendo que a Rede Globo teria problemas com a Receita Federal.

O candidato petista ainda disse ser "natural" que pessoas que estejam na vida pública sejam, hoje, investigadas. Isso porque, na visão dele, existe uma "indústria" de delações, em que delatores dão declarações sem provas apenas com o objetivo de reduzir "80% da pena".

Bonner e Haddad continuaram, então, o embate. "O Brasil melhorou muito a posição no ranking de combate à corrupção", disse Bonner sobre o uso de delações e a Lava Jato no país.

Haddad, no entanto, disse que isso se deve "graças à legislação" aprovada nas gestões petistas. "A mesma que condenou o PT", retrucou Bonner, ao que Haddad respondeu: "a mesma que condenou tucanos".

Reproução/TV Globo
Haddad (PT), candidato à Presidência, concede entrevista ao Jornal Nacional

Eleitor foi "induzido" ao erro em 2016, diz Haddad

Haddad ainda atribuiu o resultado das eleições de 2016 para a Prefeitura de São Paulo, quando tentava a reeleição e acabou derrotado no primeiro turno por João Doria (PSDB), ao "clima de antipetismo" que fez com que o eleitor fosse "induzido" ao erro.

"2016 foi um ano muito atípico na cidade de São Paulo. O clima de antipetismo, porque se represou informações sobre os demais partidos, foi enorme", argumentou Haddad.

O candidato ainda afirmou que o eleitor "votou com as informações que tinha" –segundo ele, de que "o PSDB era de santos, que o PMDB, que o PP era de santos, e o PT era o demônio do país".

Questionado por Bonner se sua derrota para Doria estaria relacionada com o não cumprimento de promessas durante sua gestão na prefeitura, Haddad disse ter cumprido a "maioria" das 123 metas do seu plano de governo.

O candidato e o apresentador voltaram, então, a se enfrentar. "Seus números não estão bem corretos", disse Haddad. "Estão corretíssimos", respondeu Bonner.

Haddad também citou uma declaração do ex-presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo" nesta quinta (13) afirmou que o partido errou ao "questionar o resultado eleitoral" do pleito de 2014. "Foi para prejudicar o PT, as palavras são dele", disse.

"A crise é dos outros, então?", pontuou a jornalista Renata Vasconcellos.

Haddad evitou fazer uma autocrítica às gestões petistas e defendeu que as "pautas bomba" aprovadas por Eduardo Cunha (MDB) e Aécio Neves (PSDB) tiveram "mais influência na crise do que eventuais erros cometidos antes de 2014".

O ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação de Lula é o último dos candidatos à Presidência a ser entrevistado pelo telejornal da Rede Globo. Na semana retrasada, foram entrevistados Ciro Gomes (PDT)Marina Silva (Rede)Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSL).

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (14) mostrou Haddad com 13% das intenções de votos. O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) lidera com 26%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento foi realizado nesta quinta (13) e sexta-feira (14) com 2.820 eleitores de 187 municípios brasileiros. A pesquisa foi contratada pela Folha de S. Paulo e pela TV Globo e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) como BR-05596/2018.

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