Witzel discursou no ato em que placa destruída de Marielle foi exibida

Emanuel Colombari

Do UOL, em São Paulo

O ex-juiz federal Wilson Witzel, candidato do PSC ao governo do Rio de Janeiro, participou de uma manifestação na cidade de Petrópolis, na região serrana fluminense, ao lado de Rodrigo Amorim e Daniel Silveira --ambos do PSL, eles faziam na ocasião campanha ao Legislativo estadual e federal, respectivamente. No ato, os deputados eleitos no último domingo (7) exibiram uma placa em homenagem à vereadora Marielle Franco (PSOL) destruída. Um vídeo da manifestação foi divulgado por Silveira em sua página no Facebook no dia 30 de setembro.

Durante os pouco mais de 22 minutos de imagens, Amorim fala a uma multidão a respeito de "sentar o dedo nesses vagabundos". "Se eu chegar na Alerj [Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro], eu vou decapitar esses vagabundos de PCdoB, PT e PSOL. Se o Daniel chegar em Brasília, ele vai varrer esses vagabundos e a gente vai tomar o poder nessa prefeitura e vai pintar Petrópolis de verde e amarelo", declarou, ao fim de um discurso inflamado.

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Ao longo do discurso, Amorim cita o episódio da placa de rua com o nome de Marielle, que havia sido colocada na Cinelândia, no centro do Rio, sobre outra placa de forma a homenagear a vereadora assassinada a tiros em 14 de março. Na ação, o motorista Anderson Pedro Mathias Gomes também foi morto.

"Eu e o Daniel fomos lá e quebramos a placar", diz Amorim na manifestação em Petrópolis, enquanto a multidão reage com festa. Silveira foi eleito deputado federal, enquanto Rodrigo Amorim foi eleito deputado estadual --este último, o mais votado para a Alerj.

Reprodução
Wilson Witzel discursa ao lado de placa de Marielle destruída

Por meio de nota, Witzel disse que participava de um ato de campanha em Petrópolis quando a placa foi quebrada por outro candidato.

"Naquele momento, Wilson discursava sobre suas propostas de governo. Ele reitera o que já declarou outras vezes, que lamenta a morte de qualquer ser humano em circunstâncias criminosas e que as investigações de homicídio devem ser conduzidas com rigor, e assim será feito caso seja eleito, dando respostas efetivas à sociedade", informou sua assessoria de imprensa.

Também por meio de nota, o candidato se disse surpreso com a exibição da placa destruída pelos então candidatos ao Legislativo.

"Não falei em meu discurso sobre a placa, fui surpreendido com a sua apresentação e qualquer pessoa que venha a imputar a mim qualquer coisa relativa a ela sofrerá as sanções penais cabíveis. Qualquer questão relativa a essa placa deve ser perguntada aos deputados eleitos responsáveis", disse o candidato.

Durante o discurso de Amorim e Silveira sobre um automóvel, Witzel divide o palanque improvisado durante todo o registro do vídeo. O ex-juiz é apresentado por Silveira como "nosso candidato ao governo". Depois, também discursa em meio à aclamação do público.

"Eu tive a oportunidade de jantar com nosso presidente dias antes de ele (...) sofrer um atentado contra a democracia. Naquele dia, naquele jantar, estávamos eu e ele, e eu falei ao Jair Bolsonaro: 'Jair, eu quero ser governador do Rio de Janeiro'. Ele me disse assim: 'olha, eu tenho um parafuso a menos de querer querer ser presidente da República, mas você querer ser governador do Rio de Janeiro, você tem dois parafusos a menos'. Eu falei para ele o seguinte: 'candidato, eu sou tenente fuzileiro naval. Missão dada é missão cumprida'", disse Witzel, sendo aplaudido pelo público.

Em seguida, o candidato do PSC faz uma provocação à candidatura de Romário (Podemos) ao governo fluminense.

"Eu falei para aquele sujeitinho que pode até jogar bola muito bem, mas ele nunca envergou um uniforme camuflado, segurou um fuzil e esteve disposto a morrer por esta nação. Por isso é que eu dei demonstração do meu amor ao Rio de Janeiro", acrescentou, justificando sua decisão de deixar o cargo de juiz federal para se candidatar ao governo estadual.

Na sequência, Witzel elogia os juízes federais Sergio Moro e Marcelo Bretas. Discursando ao lado da placa com o nome de Marielle, Witzel não fez menção à ex-vereadora.

Após a conclusão da apuração na noite de domingo (7), Witzel agradeceu o apoio de Rodrigo Amorim na campanha. Na ocasião, o candidato do PSC disse que a investigação do assassinato de Marielle "será tratada como qualquer outro caso".

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