A evangélicos, Haddad diz que presidente não pode impor valores como aborto

Bernardo Barbosa

Do UOL, em São Paulo

  • Júlio Zerbatto/Futura Press/Estadão Conteúdo

    Haddad aprticipa de encontro com pastores e líderes evangélicos

    Haddad aprticipa de encontro com pastores e líderes evangélicos

O candidato do PT à Presidência, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (17) em encontro com evangélicos que um presidente não pode impor valores. Haddad falava de "temas sensíveis" que dividem a sociedade a cada eleição, como drogas e aborto.

"Um presidente não pode ser eleito para impor o seu ponto de vista sobre as coisas", disse. "O presidente não pode impor valores."

A declaração reforça o que disse Haddad em uma carta aos evangélicos, divulgada ontem, na qual afirma que não defendeu causas que costumam ser reprovadas por essa fatia da população.

"Nenhum dos nossos governos encaminhou ao Congresso leis inexistentes pelas quais nos atacam: a legalização do aborto, o kit gay, a taxação de templos, a proibição de culto público, a escolha de sexo pelas crianças e outras propostas, pelas quais nos acusam desde 1989, nunca foram efetivadas em tantos anos de governo. Também não constam de meu programa de governo", afirma o candidato na carta.

No discurso de hoje, Haddad também disse que teve formação cristã e "abraçou" o cristianismo. O candidato assumiu como compromissos a atuação do Estado para "quem mais precisa" e a garantia de liberdade religiosa.

"O Estado não pode ser propriedade de uma religião. Tem que abraçar todas", afirmou.

O encontro desta quarta, realizado em São Paulo, busca aproximar Haddad de um dos segmentos da população em que ele tem larga desvantagem para Jair Bolsonaro (PSL), segundo pesquisas de intenção de voto do Ibope e do Datafolha, com rejeição de 60% do eleitorado.

Bernardo Barbosa/UOL
Pastores fazem oração por Fernando Haddad durante encontro com evangélicos
O evento contou com a presença de lideranças de diversas denominações evangélicas, como a Assembleia de Deus, Presbiteriana, Batista, Luterana e Anglicana, entre outras. Bolsonaro conta com apoio aberto de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, entre outros líderes evangélicos.

Haddad já fez reclamações públicas sobre o efeito que notícias falsas contra ele estariam tendo entre os evangélicos. O pastor Ariovaldo Ramos, da Comunidade Cristã Reformada, que ajudou a articular o evento desta quarta, disse não ter dúvidas de que as fake news afetaram o desempenho do petista entre os eleitores evangélicos.

"Pastores disseminaram mentiras, colegas disseminaram mentiras. E como você convence o fiel de que o pastor dele está mentindo?", afirmou Ariovaldo.

Um dos pastores que falaram após Haddad foi Henrique Vieira, da Igreja Batista do Caminho e filiado ao PSOL. Ele fez uma defesa veemente da candidatura petista e criticou Bolsonaro, destacando que discípulos de um homem que foi torturado, Jesus Cristo, não podem apoiar quem defende a tortura.

"Jesus não pediu que as pessoas se armassem. Jesus pediu que as pessoas se amassem. É muito diferente", disse o pastor.

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