"Clinicamente, ele tem condições de ir ao debate", diz médico de Bolsonaro

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, no Rio

  • Reprodução/Twitter/Carlos Bolsonaro

    10.out.2018 - Jair Bolsonaro (à esq.) é avaliado pelos médicos Antônio Luiz Macedo (centro) e Leandro Echenique na semana passada

    10.out.2018 - Jair Bolsonaro (à esq.) é avaliado pelos médicos Antônio Luiz Macedo (centro) e Leandro Echenique na semana passada

O cirurgião Antônio Luiz Macedo, que atende o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta quinta-feira (18) que, "clinicamente, ele [candidato] teria, sim, condições físicas de ir ao debate". Além disso, segundo o médico afirmou ao UOL, o pesselista já se encontra em condições de retomar as atividades de campanha na rua e, inclusive, se deslocar de avião a outros estados.

Macedo, que trabalha no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, veio ao Rio nesta quinta para fazer o último check-up do político, que se recupera de um atentado a faca sofrido em 6 de setembro, em Juiz de Fora (MG). O cirurgião afirmou que o procedimento de hoje durou duas horas e foi composto por exames de sangue e imagem (ultrassom), avaliação nutricional e limpeza da colostomia --bolsa de plástico que substitui o intestino.

"Todas as avaliações mostraram que ele está bem e em franco estado de recuperação. Insistimos um pouco na questão do apoio nutricional e nos cuidados com a colostomia. (...) Agora, a retomada das atividades [de campanha] vai depender do que ele e a equipe dele entendem ser o melhor."

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Macedo explicou que, em relação aos debates, não existe mais qualquer empecilho médico que o impeça de comparecer. O médico, no entanto, fez uma ressalva em relação ao formato do evento. "É mais uma questão de conforto. Talvez ele não aguente um período de mais de três horas em pé. Mas se for uma coisa mais suave e light... Depende dele", comentou.

O médico do Albert Einstein disse acreditar que o melhor cenário para o paciente seria um debate no qual os candidatos estivessem sentados. Observou ainda que a produção poderia tomar alguns cuidados a fim de evitar uma situação de "constrangimento" para Bolsonaro --em referência à possibilidade de a bolsa da colostomia se romper.

"A colostomia é uma coisa nova para ele. O intestino fica para fora, é um artifício que a gente usa em caso de ferimentos graves no intestino grosso. Por isso, andar com uma colostomia exige cuidados caso seja necessário, por exemplo, esvaziar a bolsa ou ele tenha que sair correndo para o banheiro", explicou. "Talvez se ele não ficasse em pé [no debate] e fosse uma coisa mais rápida. Seria importante também ter um banheiro perto caso haja uma intercorrência na bolsa", completou.

Macedo observou que o rompimento da colostomia é uma situação que causa constrangimento ao paciente, já que as fezes se espalham. Além de sujar o indivíduo em recuperação, há a questão do odor. "Um dia desses a bolsa rompeu e sujou a casa toda. Ele ficou muito chateado. Quando a bolsa começa a encher, ela força o plástico e acaba existindo o risco do rompimento."

Na versão do cirurgião, "cada paciente reage de uma forma" ao processo de adaptação da colostomia. "Tem que gente que fica três ou quatro meses com a bolsa. No início, a adaptação é muito difícil. Tem paciente que vai trabalhar com colostomia. Mas é constrangedor porque fica saindo fezes e o cheiro é muito ruim."

Bolsonaro deve permanecer com a colostomia entre dezembro e janeiro, de acordo com a previsão de Macedo, quando ele passará por um novo procedimento para fechar o local.

A retomada da campanha na rua também seria possível, segundo explicou o médico, desde que sejam providenciadas as medidas necessárias de segurança e logística. Quanto mais Bolsonaro se aproximar de aglomerações, maior seria o risco para ele de ter problemas relacionados à colostomia. "Não teria nenhuma outra questão sobre isso, como pegar uma infecção na rua, um resfriado ou algo do tipo. Não acredito que exista esse risco."

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