Após queda na rejeição, Haddad diz que pode virar com apoio das periferias

Nathan Lopes

Do UOL, em São Paulo

A quatro dias da eleição, o candidato do PT a presidente, Fernando Haddad, diz acreditar ser possível ultrapassar seu adversário, Jair Bolsonaro (PSL), na disputa presidencial. Segundo pesquisa Ibope divulgada nesta terça (23), Bolsonaro lidera a disputa com uma diferença de 14 pontos percentuais. As periferias, diz o petista, seriam sua principal força para a mudança, além da alteração no nível de rejeição dos candidatos apontada pelo Ibope.

Segundo o instituto, houve queda na rejeição de Haddad e alta na rejeição de Bolsonaro. Segundo a pesquisa, 41% não votariam no petista de jeito nenhum, contra 47% na pesquisa anterior. Em relação a Bolsonaro, a rejeição subiu 5 pontos percentuais, para 40%.

Haddad manteve as fortes críticas ao oponente. O petista disse que "o que dá medo é o que está por trás dele, os porões da ditadura". "Se na próxima rodada de pesquisas, a rejeição dele aumentar cinco [pontos] de novo e a minha cair seis de novo, ele vai perder a eleição", disse Haddad em sabatina, nesta quarta-feira (24), à rádio CBN e ao site G1. "Nós vamos virar essa eleição."

O petista disse acreditar que tem potencial para crescer nas periferias das grandes cidades, revertendo votos do primeiro turno. "O Mano Brown tem toda a razão. Nós temos que abrir o coração para o pessoal da periferia", afirmou Haddad durante entrevista.

Na noite desta terça, durante evento com artistas no Rio, o rapper Mano Brown, admitiu chance de derrota petista e recebeu vaias dos simpatizantes de Haddad. "Vim representar a mim mesmo e não representar ninguém. Não gosto de clima de festa, e a cegueira que atinge lá atinge cá também. Tem mais 30 milhões de diferença de votos, não tem margem para alcançar. Não estou pessimista, estou realista", disse Mano Brown. Caetano Veloso e Chico Buarque apoiaram a crítica.

Nós temos que reconectar com esse povo. A minha rejeição ter caído e a dele aumentado diz que a gente já encontrou um caminho de debate

Fernando Haddad

Após esquemas de corrupção envolvendo governos do PT, um desafio, para o candidato, "é resgatar a confiança das pessoas". "Nós temos que nadar, nós temos que remar. Nós temos que mostrar que vamos resgatar nosso legado. Nós temos que corrigir o que foi insuficiente".

Haddad também citou propostas para um eventual governo. Ele reforçou o projeto de tornar a segurança pública um tema federal para combater facções criminosas. Haddad prometeu dobrar o contingente da Polícia Federal "para enfrentar o crime organizado no país" e disse que a instituição dá lucro para o governo.

"A Polícia Federal é das coisas mais baratas que tem nesse país pelo resultado que ela dá", disse. "A Polícia Federal dá lucro. Ela custa muito menos do que ela combate de contrabando, de tráfico. É investimento".

ANÁLISE: "O PT NÃO PERMITIU HADDAD SER HADDAD"

O presidenciável do PT esclareceu mudanças --"não significativas", segundo ele--  feitas em seu programa de governo, dizendo que elas teriam relação com Bolsonaro. "Meu adversário pinça uma frase do programa, distorce, põe na internet e não vem para o debate", disse. "Então o que nós fizemos? Nós demos clareza para as coisas que ele estava distorcendo no WhatsApp. Para ele não puder usar as fake news para fazer política."

Haddad também indicou que Bolsonaro não fez uma autocrítica a respeito do apoio dado à ditadura e lembrou que "o PT nasceu contra a ditadura que o Bolsonaro representa". "E ele até hoje não teve mea culpa sobre o apoio que ele deu a torturador".

O petista também disse que seu partido não é culpado por "esse estrupício". "A classe política toda recebeu um recado das urnas que precisa ser compreendido. Porque o Brasil só coloca um tipo como Bolsonaro no segundo turno por uma situação muito grave de falta de perspectiva e por desconhecimento de quem é o fulano".

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