Bolsonaro mantém tradição de presidentes sem experiência no Executivo

Do UOL, em São Paulo

  • Antônio Gaudério/Folhapress

    Itamar Franco (à direita) passa faixa a Fernando Henrique Cardoso, na posse em 1995: mineiro foi último presidente do Brasil com currículo prévio no Executivo

    Itamar Franco (à direita) passa faixa a Fernando Henrique Cardoso, na posse em 1995: mineiro foi último presidente do Brasil com currículo prévio no Executivo

A eleição de Jair Bolsonaro para presidente da República confirmou uma "tradição" dos últimos cinco pleitos presidenciais. Pela quinta vez consecutiva, o país será governado por um político que nunca havia sido eleito para nenhum cargo executivo, seja prefeitura ou governo de estado.

O capitão da reserva já está na política partidária há algum tempo, mas nunca ocupou postos no poder Executivo. Em 1989 se elegeu pela primeira vez como vereador da cidade do Rio de Janeiro. Nas eleições de 1990, ganhou o posto de deputado federal pelo mesmo estado e não saiu mais --foram seis mandatos consecutivos na Câmara.

Antes de Bolsonaro, Michel Temer (MDB) havia sido confirmado presidente no dia 31 de agosto de 2016 após um processo de impeachment da presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Apesar da vasta carreira na política partidária, Temer nunca havia ocupado cargos executivos.

O mais próximo disso foi em 2002, quando se apresentou como pré-candidato do MDB para o governo de São Paulo. O partido, no entanto, decidiu em convenção pelo nome de Orestes Quércia, que já havia governado o estado entre 1987 e 1991. Em 2004, Temer ocupou o cargo de vice na chapa que tentou, junto com o PSB de Luiza Erundina, ganhar a Prefeitura de São Paulo.

Ao contrário das tentativas frustradas no executivo, Temer foi exitoso quando se candidatou para cargos legislativos. Foi eleito deputado federal em quatro eleições consecutivas: 1994, 1998, 2002 e 2006, ocupando a presidência da Câmara em duas oportunidades.

Dilma e Lula

AP Photo/Silvia Izquierdo
Com a faixa presidencial, Dilma Rousseff segura nas mãos de seu então vice, Michel Temer, e do ex-presidente Lula, na posse em 2011

Dilma Rousseff nunca havia disputado uma eleição antes de ser eleita presidente em 2010. Apadrinhada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Dilma venceu também as eleições de 2014. Antes, ocupou a secretaria Municipal da Fazenda de Porto Alegre (1988), presidiu a Fundação de Economia e Estatística (1990), a secretaria de Minas e Energia do Rio Grande do Sul (1995) e dirigiu o Ministério de Minas e Energia (2002) e foi ainda ministra-chefe da Casa Civil (2005).

Seu padrinho e antecessor, Lula, tentou por diversas vezes ocupar um cargo no Executivo até ser eleito em 2002. Antes, Lula se candidatou para o governo do Estado de São Paulo (1982) e para a presidência da República por três vezes (1989, 1994, 1998). No Legislativo, foi eleito deputado constituinte em 1986 com a maior votação da história até aquele momento.

FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), na época filiado ao MDB, tentou sua primeira eleição em 1978, concorrendo ao Senado ainda durante o regime militar (1964-1985). Ficou em segundo e acabou ocupando a vaga de suplente de Franco Montoro, que obteve a maioria dos votos. FHC tentou a Prefeitura de São Paulo 6 anos depois, mas perdeu para Jânio Quadros (PTB).

Como Franco Montoro se elegeu governador de São Paulo em 1982, FHC herdou a vaga no Senado, e se reelegeu em 1986 ao cargo. Já no PSDB, foi vitorioso em 1994 e 1998 nas eleições presidenciais.

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Itamar Franco

Diferentemente de seus quatro sucessores, Itamar Franco (PMDB) já havia sido eleito para um cargo executivo antes de assumir a Presidência da República. Ele se elegeu prefeito de Juiz de Fora (MG) por duas vezes, para mandatos entre 1967 e 1971 e entre 1973 e 1974. Este último mandato foi abandonado para que Itamar disputasse a eleição para o Senado pelo MDB. Ele foi eleito com pouco mais de 1,4 milhão de votos.

Reeleito como representante mineiro no Senado em 1982 com 2.398.361 de votos, ele só deixou esse cargo legislativo em 1990, para ser vice do presidente Fernando Collor (PRN). Com o impeachment dele, o mineiro tornou-se o 33º presidente, pelo então PMDB.

Após a Presidência, Itamar foi eleito governador de Minas Gerais em 1998. Em 2010, já no PPS, ele voltou ao Senado com o apoio de 5.125.455 de mineiros. Itamar, porém, morreu cinco meses após assumir o mandato, no dia 2 de julho de 2011.

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