Isolamento de Haddad é desafio para campanha petista no 2º turno

Simone Iglesias e Mario Sergio Lima

A campanha de Fernando Haddad (PT) enfrenta momento crítico, com o candidato bem atrás de Jair Bolsonaro (PSL) nas pesquisas de opinião e sem ter garantido os apoios partidários que o PT imaginava possível.

Os petistas esperavam criar uma grande "frente democrática" ainda na noite de domingo, após o resultado do primeiro turno, mas isso não se consolidou. Os apoios foram chegando de forma lenta e protocolar. A maioria dos partidos decidiu pela neutralidade, o que na prática representa liberdade aos filiados para votarem em Bolsonaro e até não apoiar ninguém.

O PDT, do terceiro colocado Ciro Gomes, deu "apoio crítico" a Haddad. Ciro frustrou a campanha petista ao não se engajar e ainda embarca para a Europa para umas férias em meio ao segundo turno. Sua candidata a vice, Kátia Abreu, anunciou que votará em branco ou nulo e ainda sugeriu que Haddad renunciasse e fosse substituído por Ciro, que seria mais competitivo.

Em Brasília do fim da tarde de quarta-feira até quinta-feira, Haddad ficou praticamente fechado em um quarto de hotel gravando vídeos e em reuniões internas, com um pequeno staff e sem militância, o que historicamente caracterizou as campanhas eleitorais do PT. Em uma rápida entrevista a jornalistas, o candidato relativizou o resultado das pesquisas e demonstrou otimismo. "Faltam 8 pontos para chegar a 50%. Quem saiu de 4% para 42% tem chance de chegar a 50%."

Haddad fez uma visita a dom Leonardo Steiner, secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, reunião em que foi acompanhado apenas de dois petistas, o ex-ministro de Lula Gilberto Carvalho e do governador do Piauí, Wellington Dias. Nenhum militante do partido o acompanhou. Ao contrário, foi perseguido pelas ruas de Brasília por eleitores de Bolsonaro.

Na segunda-feira, um dia depois de passar para o 2º turno, o comitê de campanha de Haddad estava esvaziado. Improvisado em um hotel de São Paulo, o ambiente contrastava com eleições anteriores do icônico PT, que arrastava multidões atrás de Lula, hoje preso em Curitiba. A presidente do partido, Gleisi Hoffmann, passou o dia trancada numa suíte no último andar, em reuniões. O ex-homem forte do governo Dilma Aloizio Mercadante, chegou ao hotel, não encontrou ninguém, e sentou no bar, sozinho, por cerca de uma hora lendo um livro. Outro integrante da campanha, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli circulava entre o lobby e a cobertura, em silêncio. De um ex-ministro e petista histórico que acompanhava a movimentação e pediu para não ser identificado, veio a análise: o PT só ganha essa eleição com um milagre.

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