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Após sessão de quimioterapia, Lula deixa hospital; ex-presidente não teve enjoos

Do UOL Notícias*<br>Em São Paulo

01/11/2011 15h34Atualizada em 01/11/2011 22h30

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de 66 anos, deixou no meio da tarde desta terça-feira (1º) o hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde estava internado desde ontem (31) para a primeira sessão de quimioterapia. Lula foi diagnosticado com um câncer de laringe no último fim de semana.

Hoje de manhã, o ex-presidente foi submetido ao "pet scan", uma espécie de tomografia que avalia o funcionamento das funções regulares do corpo, entre as quais oxigênio, fluxo de sangue e metabolismo de açúcar.

Segundo os médicos Paulo Hoff e Arthur Kaatz, da equipe que atende o ex-presidente, ele ainda não teve enjoos ou outros efeitos colaterais comuns em pacientes submetidos ao tratamento. O único sintoma que Lula pode sentir nos próximos dias, afirmaram, é "um pouco de cansaço" --ainda assim, atividade física como caminhada em esteira foi recomendada ao paciente.

Os médicos disseram que o ex-presidente poderá prosseguir com o dia a dia de uma "vida normal", mas sem cumprir agenda política. Já a rouquidão na voz, afirmaram, foi resolvida graças à reversão de um edema na laringe. A próxima sessão de quimioterapia acontece daqui a 21 dias; a radioterapia terá início entre 10 e 12 janeiro de 2012.

Entenda o caso

Lula teve diagnosticado no último sábado (29) um câncer na laringe. Ontem, a equipe médica que atende o ex-presidente informou que o tumor, de aproximadamente 3 cm, é considerado de estágio intermediário, mas com boas chances de cura.

Antes da alta, Lula almoçou e teve um cardápio leve. O oncologista Paulo Hoff disse que o paciente passou bem a noite, depois da primeira sessão de quimioterapia.

Para que Lula não sentisse de forma intensa os efeitos colaterais do tratamento, a sessão durou cerca de três horas. Ao todo, serão três sessões. A próxima está prevista para daqui a 21 dias.

Visita de Dilma

Ontem, Lula recebeu a visita da presidente Dilma Rousseff, que ficou quase uma hora e meia no local. Ao sair, afirmou aos jornalistas que Lula estava bem.

“Saio muito contente porque achei ele [Lula] muito bem, com aquela imensa energia, uma combinação de força do organismo e da extrema energia que sai da bondade e da alegria de viver”, afirmou em entrevista coletiva.

“Saio certa que ele sai, em janeiro, desfilando na Gaviões da Fiel”, brincou, referindo-se à escola de samba do time de Lula, o Corinthians. "O povo brasileiro pode ter certeza que ele é um guerreiro e vai sair dessa."

“Eu sofri muito na minha quimioterapia [Dilma fez um tratamento para combater um câncer linfático em 2009], mas o presidente tem uma capacidade enorme de vencer desafios”, completou.

Segundo Dilma, Lula estava mais interessado em discutir o G-20 e o desempenho dos países da zona do euro do que falar da doença. “O presidente olha para fora, não fica triste, olhando para dentro. É sempre muito alegre.”

Questionada se o ex-presidente está preservando a voz, Dilma disse que ele está falando baixo, mas as vezes ele acaba falando mais alto. Ainda de acordo com a presidente, Lula reclamou de notícias da imprensa apontando irregularidades em três contratos do programa federal Minha Casa Minha Vida. “O programa tem um milhão de contratos e que ele acha um absurdo tratar isso [as irregularidades em três deles] como uma catástrofe.”

Resumo divertido de 8 anos de governo de Lula em uma partida de futebol

Compromissos políticos cancelados

Por causa do tratamento, Lula foi obrigado a cancelar toda sua agenda política até janeiro de 2012. Segundo Paulo Okamoto, presidente do Instituto Cidadania --que irá se chamar, em breve, Instituto Lula-- o ex-presidente iria para Porto Alegre (RS), Washington D.C. (EUA), onde receberia um prêmio, República Dominicana e Venezuela, onde se encontraria com o presidente Chávez, entre os dias 8 e 11 de novembro.

"Todos os compromissos serão cancelados. Não dá para ele viajar para tantos lugares durante o tratamento", disse Okamoto, que esteve no hospital no sábado (29).

O câncer

O ex-presidente, que completou 66 anos na última quinta (27), estava com rouquidão considerada acima do normal e vinha se queixando de dores de garganta nos últimos dias.

Segundo o médico Rafael Possik, oncologista do hospital Sírio Libanês, esse tipo de tumor está diretamente relacionado ao consumo de tabaco e bebidas alcoólicas.

A laringe é um órgão situado na região do pescoço e tem funções respiratórias e relacionadas ao aparelho vocal. O câncer de laringe atinge principalmente homens e é um dos mais comuns na região da cabeça e pescoço.

Segundo o Instituto do Câncer (Inca), fumantes têm dez vezes mais chances de desenvolver câncer de laringe que pessoas que não fumam. O câncer de laringe representa cerca de 25% dos tumores malignos na região da cabeça e pescoço. Dois terços dos tumores do gênero ocorrem na corda vocal.

* Com informações de Marcela Rahal, do UOL Notícias, e da Agência Brasil

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