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Réus do mensalão se uniram por um "sonho", diz advogado de Delúbio

Fabrício Calado

Do UOL, em Brasília

02/08/2012 14h07Atualizada em 02/08/2012 15h03

Ao chegar ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) para o 1º dia do julgamento do mensalão, o advogado do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, Arnaldo Malheiros Filho, disse nesta quinta-feira (2) que seu cliente "sempre assumiu que deu dinheiro (a aliados) para custear despesas de campanha". Malheiros, que não quis antecipar a defesa oral que fará de Delúbio no plenário do STF, refuta a acusação de formação de quadrilha entre Delúbio e outros réus do mensalão.

"Quadrilha é quando três ou mais pessoas se associam para cometer um crime. Eles (Delúbio, José Dirceu e outros petistas) se associaram em torno de um sonho, de um projeto de poder, de (um ideal de) mudar o Brasil", afirmou.

Delúbio não está em Brasília. Ele acompanhará o julgamento do caso de São Paulo, segundo seu advogado.

Entenda o mensalão

O caso do mensalão, denunciado em 2005, foi o maior escândalo do primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O processo tem 38 réus, incluindo membros da alta cúpula do PT, como o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil). No total, são acusados 14 políticos, entre ex-ministros, dirigentes de partido e antigos e atuais deputados federais.

O grupo é acusado de ter mantido um suposto esquema de desvio de verba pública e pagamento de propina a parlamentares em troca de apoio ao governo Lula. O esquema seria operado pelo empresário Marcos Valério, que tinha contratos de publicidade com o governo federal e usaria suas empresas para desviar recursos dos cofres públicos. Segundo a Procuradoria, o Banco Rural alimentou o esquema com empréstimos fraudulentos.

O tribunal vai analisar acusações relacionadas a sete crimes diferentes: formação de quadrilha, lavagem ou ocultação de dinheiro, corrupção ativa, corrupção passiva, peculato, evasão de divisas e gestão fraudulenta.

Dia a dia do julgamento

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  • Arte/UOL

    Relembre o escândalo do mensalão, veja quem são os acusados, como teria sido o esquema e quais as possíveis penas

O julgamento do mensalão está dividido em duas fases. Na primeira, ocorrida nesta quinta-feira (2), o relator do processo, o ministro Joaquim Barbosa, lerá uma síntese do seu relatório, com os argumentos dos 38 réus e da acusação, a Procuradoria-Geral da República. Em seguida, o procurador-geral, Roberto Gurgel, fará a sua manifestação e apresentou provas da existência do esquema.

Nos dias seguintes, a partir desta sexta-feira (3), os advogados dos 38 réus terão uma hora cada um para fazer a apresentação da defesa. A previsão é que a primeira fase aconteça nos dias 2, 3, 6, 7, 8, 9,10, 13 e 14 de agosto. Com duração de cinco horas, as sessões começarão sempre às 14h.

A última fase será destinada à leitura do voto de cada um dos 11 ministros do STF, que irão revelar se absolvem ou condenam os réus. Nesta etapa, as sessões devem ocorrer nos dias 15, 16, 20, 23, 27 e 30 de agosto, a partir das 14h, mas sem horário para terminar.

O primeiro a votar será o relator, seguido do revisor do processo, o ministro Ricardo Lewandowski. A partir daí, a votação segue por ordem inversa de antiguidade, da ministra Rosa Weber, a mais nova na Corte, até o ministro decano, Celso de Mello. O último a votar será o presidente do STF, ministro Ayres Britto.

Se o julgamento precisar se estender em setembro, as datas das novas sessões deverão ser publicadas no Diário da Justiça. 

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